Zona da Mata

Inaugurado o primeiro banco de cannabis na Zona da Mata

No município de Viçosa, na Zona da Mata mineira, foi inaugurado, na última terça-feira (18), o primeiro banco genético de Cannabis sativa da América Latina. A iniciativa é da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que passa a abrigar um acervo que reúne 68 variedades dessa planta, com o objetivo de servir como base para pesquisas sobre seus usos nas áreas medicinal, agrícola, ambiental e industrial.

O Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa (BAGC/UFV) ocupa uma área de quase um hectare situada no Vale da Agronomia. O espaço conta com equipamentos de segurança e é monitorado pela Vigilância da Universidade, em função das características psicoativas da cannabis. Um banco de germoplasma tem como função ser um acervo da diversidade genética, donde as plantas são coletadas, identificadas e mantidas em condições controladas para futuros estudos e cruzamentos genéticos.

Pesquisa e Diversidade Genética

Os pesquisadores da UFV poderão utilizar o material genético depositado no banco para explorar características específicas das plantas, como a adaptação a diversos climas e solos ou a concentração de compostos com interesse farmacêutico. De acordo com Derly Henriques da Silva, professor de Agronomia e curador do banco, já estão em andamento 24 experimentos agronômicos, envolvendo múltiplas áreas do conhecimento.

O projeto do banco começou a ser planejado nos anos 2000 e recebeu respaldo legal em 2024, quando medidas judiciais permitiram a sua criação no campus da universidade. A implementação contou com o apoio financeiro da empresa Cannabreed Technology Brasil Ltda., evidenciando a parceria entre academia e setor privado.

Além dos canabinoides, que são os compostos mais conhecidos da cannabis e têm aplicação na indústria farmacêutica, a planta oferece outras utilidades. As sementes podem ser usadas na indústria alimentícia, enquanto o caule e as folhas têm potencial para a produção de fibras de cânhamo, que podem ser empregadas na confecção de roupas e materiais de construção. Também há destaque para a capacidade da cannabis em contribuir para práticas agrícolas e ambientais.

As raízes da planta possuem a habilidade de proteger o solo e seu crescimento rápido permite a avaliação de seu cultivo em sistemas consorciados com outras culturas. O professor Derly enfatiza que os estudos são necessários para adaptar as variedades de cannabis às condições brasileiras. Ele menciona que desafios semelhantes foram superados por culturas como a soja, que se expandiram para outras regiões após pesquisa de adaptação.

Durante a cerimônia de inauguração, Derly destacou que o Banco de Germoplasma representa o início de uma jornada rica em possibilidades, abrindo novos horizontes para a ciência e a tecnologia na área de cannabis no Brasil.


Com informações de Tribuna de Minas.

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