Zona da Mata

Muriquis-do-norte retornam ao Ibitipoca após extinção iminente

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas e um dos mais ameaçados do Brasil, faz um retorno significativo às florestas do Parque Estadual do Ibitipoca, localizado na Zona da Mata mineira. Em uma ação realizada no início de agosto, sete exemplares da espécie foram soltos na Mata da Boa Vista, uma área conservada dentro do Ibiti Projeto, em Lima Duarte.

A reintrodução dos muriquis é fruto de mais de sete anos de esforços em manejo, pesquisa e preparação. A iniciativa é coordenada pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), em parceria com o Ibiti Projeto, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama-MG) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF). Os primatas passaram por um período de adaptação antes de serem liberados na floresta, onde vivem sob monitoramento contínuo.

Importância da reintrodução e formação de novos grupos sociais

A proposta visa reverter a extinção local, que parecia iminente, visto que restavam apenas dois machos da população de muriqui do norte na região. “É um trabalho de longo prazo que envolveu várias pessoas e instituições. Estamos em busca de reverter a extinção local”, afirmou a bióloga Fernanda Pedreira, diretora do MIB, em entrevista.

Para a conservação da espécie, duas estratégias foram implementadas. A primeira foi a criação de um grupo social com primatas em dificuldades, que tinham pouquíssimas chances de sobrevivência. O Ibiti Projeto estabeleceu a Muriqui House, um recinto a céu aberto, onde os animais puderam se habituar antes da soltura. Além dos machos da população original, foram introduzidas fêmeas de outras populações, gerando um ambiente propício para o nascimento de um filhote, fortalecido pela genética local.

A segunda estratégia envolveu a transferência de um grupo diferente, proveniente de Peçanha, onde a população estava reduzida a apenas oito indivíduos. A formação de mais de um grupo é essencial para que no futuro os primatas possam se dispersar entre diferentes áreas, evitando a reprodução consanguínea.

A soltura dos primatas ocorreu em um terreno que abrange mais de 3 mil hectares de floresta. Fernanda acrescenta que a quantidade de habitat disponível permitirá aos muriquis estabelecer novos territórios e evitar conflitos, uma vez que, apesar de serem territoriais, costumam exibir baixo nível de agressividade.

O trabalho de reintrodução, no entanto, não encerra com a soltura. Os pesquisadores iniciarão uma nova fase de acompanhamento, monitorando o comportamento social e a adaptação dos primatas ao novo ambiente. O nascimento do filhote durante o manuseio é considerado um feito positivo, embora o verdadeiro sucesso da conservação só seja plenamente avaliado nos próximos anos.


Com informações de Tribuna de Minas.

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