Batalha do Bandeirantes conquista prêmio nacional em 2023

A Batalha do Bandeirantes, realizada em Juiz de Fora, celebra nove anos de atividade em agosto e, recentemente, conquistou um feito significativo ao garantir o primeiro lugar no Prêmio Nacional Vozes Periféricas. Este prêmio, destinado a batalhas de rima, slams e saraus, teve a participação de 1.707 inscrições de todo o Brasil. A recompensa incluiu um total de R$ 3 milhões, distribuídos em R$ 30 mil para cada um dos 100 coletivos escolhidos.
Ainda em sua primeira edição, o Vozes Periféricas destacou trabalhos que já estão em execução nas comunidades, em vez de apenas financiar novos projetos. Para ser elegível, os grupos precisavam comprovar sua atividade regular em 2025 e ter impactado positivamente a arte e cultura de suas localidades. Para a Batalha do Bandeirantes, esse reconhecimento chega após quase uma década promovendo o hip hop e a cultura das batalhas de rima.
Um momento marcante e simbólico
Robson de Jesus Souza, conhecido como Menino da Vibe, é um dos fundadores da batalha e considera a vitória uma homenagem que ressoa fortemente, especialmente por ser o primeiro ano sem a presença de Adenilde Petrina Bispo, figura fundamental na história do coletivo. Robson relembra que, além da premiação, o grupo arrecadou R$ 6 mil em batalhas para ajudar as vítimas das chuvas que afetaram a cidade. “Ganhar esse prêmio depois da chuva e após a perda dela é muito significativo”, declarou ele em entrevista.
A Batalha do Bandeirantes teve início em 2017, quando Robson e Dentinho lançaram a ideia de um encontro de rimas na comunidade local. Robson sempre acreditou no potencial da iniciativa, mesmo quando a desconfiança cercava o projeto, tanto entre os artistas quanto entre os moradores da região que equiparavam a movimentação a atividades ilícitas. No entanto, com o crescimento e o reconhecimento da batalha, a perspectiva foi mudando.
Sentindo-se no início de uma longa jornada, Robson ainda vê muito a ser conquistado. Ele categoriza o progresso como um esforço lento, mas firme, ressaltando a importância de ter suporte para potencializar ações de hip hop e cultura nas comunidades. “Se projetos como estes fossem mais comuns nas quebradas, ajudaria a desviar as crianças de caminhos ruins”, afirmou.
Robson, que antes se dedicava ao esporte, encontrou no rap uma nova trajetória, participando ativamente desde 2016. Com o reconhecimento terá novas oportunidades no cenário cultural, mas a missão de valorizar e apoiar as iniciativas locais ainda permanece em seu horizonte.
Com informações de Tribuna de Minas.


