Zona da Mata

Fotógrafo explora a pé a Estrada União e Indústria em livro

O fotógrafo Thiago Wierman lançou o livro “No caminho de Klumb: a Estrada União e Indústria em doze dias de caminhada”, resultado de uma jornada a pé pela histórica rota que conecta Juiz de Fora e Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Com uma duração de 12 dias, a travessia permitiu a Wierman não apenas reviver a trajetória do século 19, mas também explorar as transformações que a região sofreu ao longo do tempo.

O interesse pela Estrada União e Indústria surgiu em 2019, quando Wierman investigava a origem dos municípios de Juiz de Fora e Santos Dumont. Durante essa pesquisa, se deparou com o trabalho de Revert Henrique Klumb, autor do primeiro guia turístico do Brasil, publicado em 1872. Enquanto Klumb faz o percurso em 12 horas utilizando uma diligência, Thiago decidiu documentar sua experiência em um ritmo bem mais contemplativo.

Encontro com a História

A viagem foi realizada em 2022 e foi motivada pela necessidade de estar em contato com o mundo após meses de restrições impostas pela pandemia. Com suas mochilas — uma para equipamentos e outra para itens pessoais —, ele carregou consigo guias, anotações históricas e diários de Dom Pedro II. O fotógrafo utilizou o teto de hospedagem em troca de mencionar os locais no livro, o que, segundo ele, funcionou na maior parte das vezes.

Thiago, que já tinha experiência em viagens de carona, redobrou a atenção durante os trechos a pé, optando por caminhar somente durante o dia. Ele reconhece que foi um desafio se preparar para uma jornada longa, mas acreditava que a curiosidade e uma mentalidade positiva seriam aliadas nesse caminho. Ao longo da rota, encontrou moradores, historiadores e engenheiros que contribuíram com seus conhecimentos sobre a história da estrada e das construções que a cercam.

Durante sua jornada, Wierman coletou muitos relatos e imagens, levando-o a perceber que a narrativa que desejava contar sobre a estrada não caberia apenas nas fotografias, dando origem ao seu livro. O autor percorreu o caminho no sentido inverso a Klumb, revelando um universo que estava aos poucos se esvaindo pela urbanização e poluição, e relatou encontros que o tocaram emocionalmente, como a visita a uma estação que ainda resiste, embora em estado de ruína.

Completados os 12 dias de caminhada, Thiago recebeu apoio financeiro e iniciou a fase de diagramação e edição do livro, que ele descreve como um desafio ainda maior do que a própria travessia. O material inclui uma série de acessibilidades, como textos descritivos para deficientes visuais e uma versão digital com QR Code para facilitar o acesso.


Com informações de Tribuna de Minas.

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