MPMG realiza operação contra esquema de fraudes no IPVA

Na manhã desta quinta-feira (3), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) desencadeou a Operação Contramão, voltada para investigar uma rede criminosa suspeita de realizar golpes relacionados ao pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Este grupo é acusado de criar sites falsos que se assemelham ao portal oficial do Governo de Minas, direcionando os pagamentos realizados via Pix para contas sob seu controle.
Investigações e ações policiais
O trabalho investigativo é promovido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) do MPMG, além do 11º Promotor de Justiça com atribuições no combate ao crime organizado em Belo Horizonte. Os envolvidos estão sendo investigados por estelionato qualificado por fraude eletrônica e formação de organização criminosa. As evidências sugerem que o esquema está ativo desde o ano passado e é repetido a cada ciclo de pagamento do imposto.
Os golpistas utilizavam-se de uma recriação quase exata da identidade visual e do funcionamento do site oficial que permite o pagamento do IPVA. Com endereços que evocam órgãos públicos, como “gov”, “detran” e “minasgerais”, buscavam passar uma imagem de legitimidade. Ao realizar o pagamento, os contribuintes geravam um QR Code e, acreditando que estavam regularizando suas pendências, transferiam valores via Pix. Esses montantes, entretanto, eram desviados para empresas inexistentes.
A investigação revelou que essas empresas utilizavam nomes que traziam referências aos serviços de arrecadação pública, como “gestão de tarifas” e “pagamentos de taxas”. Muitas delas eram abertas apenas em épocas de vencimento do IPVA e, frequentemente, encerravam suas atividades após menos de cinco meses. Os valores recebidos eram fragmentados e transferidos para contas pessoais localizadas em diversos estados, incluindo Goiás, Maranhão e São Paulo.
Em cumprimento aos mandados expedidos, 14 prisões preventivas e 10 mandados de busca foram realizados em três estados diferentes: Goiás, Maranhão e São Paulo. Até o momento, dez indivíduos foram detidos. As investigações também resultaram na apreensão de diversos dispositivos eletrônicos e drogas. As buscas por outros suspeitos ainda estão em andamento. O processo está tramitando em sigilo.
O promotor de Justiça, André Salles Dias Pinto, destacou que fraudes cibernéticas se aproveitam da confiança que os cidadãos depositam nos canais oficiais, impactando a relação entre a administração pública e os contribuintes.
O MPMG alerta para a importância de realizar pagamentos do IPVA apenas através dos canais oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais. O órgão recomenda também que se desconfiem de links recebidos por mensagens e anúncios na internet.
Com informações de Tribuna de Minas.

