Economia

Suspensão da UE afeta carnes brasileiras; entenda os impactos

A União Europeia (UE) iniciou nesta quinta-feira (3) a proibição da importação de produtos animais oriundos do Brasil, que inclui carnes bovina, suína e de frango, além de mel, ovos e pescados. Essa medida pode resultar em perdas de até US$ 2 bilhões anuais nas exportações brasileiras. Apesar do bloqueio, o Brasil busca comprovar que está em conformidade com as normas do bloco europeu, enquanto uma auditoria está sendo realizada nas cadeias produtivas de frango e mel no país.

Motivos da suspensão

A decisão da UE se baseia na avaliação de que os mecanismos atuais do Brasil para fiscalizar o uso de antimicrobianos na agropecuária são insuficientes. Entretanto, não foram relatados casos de contaminação ou irregularidades sanitárias em produtos brasileiros. O uso de antimicrobianos é rigorosamente controlado pela UE, sendo permitido apenas para o tratamento de infecções, mas proibido para estimular o crescimento dos animais, algo que o Brasil contesta, alegando que sua legislação já limita esse uso.

O impacto econômico será maior nas carnes bovina e de frango, que compõem uma parte significativa das exportações para o mercado europeu. Em 2025, a carne bovina, por exemplo, representou cerca de US$ 1,7 bilhão em vendas. No entanto, a capacidade de substituição de compradores é dificultada pela demanda específica de diferentes mercados.

De acordo com o governo brasileiro, várias ações foram implementadas para enfrentar o bloqueio, incluindo a proibição do uso de determinados antimicrobianos e a criação de um novo protocolo de rastreabilidade. Este protocolo visa acompanhar todos os animais desde o nascimento até o abate, garantindo a não utilização de antimicrobianos proibidos ao longo da vida do animal.

A auditoria da UE sobre as cadeias produtivas deve encerrar nesta sexta-feira (4), mas a análise do resultado pode levar até dois meses. Se a UE aceitar que as regulamentações foram cumpridas, a suspensão poderá ser revogada. No caso das carnes bovina, a adaptação às novas exigências pode demandar de 24 a 36 meses, devido à necessidade de rastreamento completo durante a vida do animal, em comparação com o ciclo mais curto da carne de frango, que é em torno de 45 dias.

Enquanto isso, o setor avícola brasileiro, que exporta para cerca de 150 países, aguarda ansiosamente a possibilidade de retomada das vendas para a UE em 2026, e o mel, que teve um aumento nas exportações para a Europa, também é afetado pela suspensão. O futuro do segmento dependerá dos resultados da auditoria que está em curso.


Com informações de Agência Brasil.

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