Grupo de Vorcaro acessava sistema da PF a partir de Juiz de Fora

Documentos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que uma auditoria interna da Polícia Federal (PF) constatou que um grupo vinculado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, realizava consultas no sistema restrito da corporação, utilizando a delegacia de Juiz de Fora. As investigações mostram que essas buscas estavam ligadas à Operação Compliance Zero e às pessoas envolvidas no Caso Master.
Sendo parte das investigações, o grupo, conhecido como ‘A turma’, contava com seis policiais federais liderados por Marilson Roseno da Silva, já aposentado e com passagens pela PF em Juiz de Fora. O relatório da PF informa que os métodos utilizados pelo grupo eram tão sofisticados que conseguiram acessar informações de organizações internacionais como o FBI e a Interpol.
Atividades e Investigações de ‘A turma’
Os integrantes da ‘Turma’ estavam encarregados de executar ações relacionadas à coleta de informações sobre inquéritos e processos judiciais, muitos dos quais eram sigilosos, para atender aos interesses de Vorcaro. Além disso, práticas de intimidação eram empregadas contra aqueles que contrariassem as ordens do empresário. O acesso não autorizado aos dados da autoridade policial permitiu que o grupo previsse os movimentos da equipe de investigação, o que se tornou crucial para a elaboração de novos pedidos de prisão em curso.
Os dados obtidos de forma ilegal serviam também para proteger Vorcaro, pressionar testemunhas e monitorar adversários do banco. A Polícia Federal foi contatada pela Tribuna para oferecer esclarecimentos sobre o acesso indevido, mas não obteve resposta até o momento. O ex-policial Marilson Roseno da Silva também foi procurado, sem retorno.
Investigações indicam que ‘A turma’ recebia uma compensação financeira significativa, estimada em R$ 400 mil mensais, provenientes da empresa King Participações Imobiliárias Ltda, operada por Felipe Mourão, conhecido como ‘Sicário’ de Vorcaro. O pagamento aos policiais federais era gerido através da empresa Super Empreendimentos e Participações S.A, com intermediários envolvidos em repasses mensais, sendo Marilson o contato direto entre essa estrutura, Mourão e Vorcaro.
A PF revelou ainda que a atuação do grupo possibilitou que Vorcaro obtivesse informações sobre a Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025, um dia após sua prisão em Guarulhos, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Contatos continuarão a ser tentados para esclarecer a situação e dar espaço para qualquer manifestação dos envolvidos.
Com informações de Tribuna de Minas.


