Juiz de Fora

Obras de Portinari em Juiz de Fora são tesouros às vistas

Juiz de Fora é lar de duas notáveis obras do renomado artista brasileiro Candido Portinari, localizadas no vibrante Centro da cidade. Quem costuma passar pela Avenida Barão do Rio Branco ou pela Rua Halfeld pode já ter cruzado com essas obras sem notar. Os painéis estão afixados na fachada do Edifício Clube Juiz de Fora, bem em frente ao Parque Halfeld, e foram integrados ao prédio modernista projetado pelo arquiteto Francisco Bolonha.

Construído entre 1950 e 1955, o edifício representa a colaboração entre Bolonha e Portinari. O projeto foi pensado para unir arquitetura e artes plásticas, um traço distintivo do movimento moderno brasileiro. O painel mais famoso, “As Quatro Estações”, é voltado para a Avenida Barão do Rio Branco e mede 4,48 metros de altura por 7,95 metros de largura. Esta incrível obra, criada em 1956, utiliza azulejos brancos pintados em tonalidades de azul em traços abstratos que transmitem a mudança das estações.

Portinari na Rua Halfeld

Ao virar uma esquina, é possível avistar outro trabalho do artista, denominado “Cavalo”, que se encontra na fachada voltada para a Rua Halfeld. Este painel é composto por pequenos murais de pastilhas cerâmicas que se repetem entre as janelas, criando um ritmo que dialoga com o movimento das pessoas nesta rua tradicional.

Portinari não apenas criou obras para o edifício, mas sim as concebeu como parte da arquitetura, interligando as artes de forma intrínseca. “As Quatro Estações” passou por um processo de restauração em 2007, após ser tombada pelo município em 1997. A revitalização foi coordenada pela Funalfa, com a colaboração da TIM e supervisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac).

Este processo de recuperação visou manter a integridade física e estética da obra, incluindo limpeza e tratamento de áreas danificadas. Hoje, as obras de Portinari representam não só um acervo artístico, mas também salientam a importância histórica e cultural de Juiz de Fora no contexto da arquitetura moderna brasileira.

Assim, ao caminhar pelo Centro, é recomendável olhar para cima, pois por ali, há cerca de 70 anos, as criações de Candido Portinari fazem parte da contínua história da cidade e a transformam em um verdadeiro museu a céu aberto.


Com informações de Folha JF.

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