Bordadeiras de Minas assinam figurino usado por Shakira em ‘Waka Waka’; confira os bastidores

Tratada como a maior turnê de todos os tempos de uma artista latina, Shakira transformou a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em um grande palco no último sábado (2). Diante de um público estimado em ao menos 2 milhões de pessoas, de acordo com a Prefeitura, a cantora colombiana encerrou a apresentação com um dos momentos mais aguardados da noite: a performance de “Waka Waka”, música-tema da Copa do Mundo de 2010 e um dos maiores sucessos de sua carreira.
Entre as 13 trocas de figurino feitas durante o show, o look usado nesse momento final teve assinatura mineira. A criação é da estilista Giovanna Resende, natural de São João del-Rei, no Campo das Vertentes, a cerca de 150 quilômetros de Juiz de Fora. À frente da marca Hisha, especializada em bordados autorais, ela foi responsável por vestir Shakira e seis dançarinas, além de Anitta, que subiu ao palco para apresentar a canção recém-lançada “Choka Choka”.
Bordado mineiro no palco de Copacabana
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(Foto: Reprodução)
Criada há oito anos, a Hisha tem ateliê em Uberlândia, lojas em São Paulo e Trancoso, além de atuar também no comércio on-line. A marca trabalha com bordados autorais e mistura de texturas, mas carrega, sobretudo, o propósito de colocar o trabalho das bordadeiras no centro da criação. “A gente sempre teve como propósito trazer a profissão bordadeira para o centro da marca e desenvolver essas mulheres, tanto para o mercado quanto pessoalmente”, conta Giovanna.
Esse DNA aparece no figurino levado ao palco por Shakira. Mais do que uma peça de impacto visual, o look foi pensado para carregar movimento, cor, leveza e referências ao Brasil. Segundo a estilista, a proposta também incluiu elementos inspirados em pinturas indígenas, com traços associados à proteção, ao poder feminino, à segurança e à força.
Convite veio pelo stylist de Shakira
O primeiro contato aconteceu por meio de Nicolas Bru, stylist de Shakira há vários anos. Ele conheceu o trabalho da Hisha pelo Instagram e entrou em contato com a marca. Depois disso, Giovanna viajou a Miami para apresentar peças e mostrar de perto o trabalho desenvolvido no ateliê. Pouco tempo depois, com a confirmação do show de Shakira no Brasil, veio o convite para criar o figurino de “Waka Waka”.
O processo, segundo a estilista, foi construído em diálogo constante com a equipe da artista. A música, marcada pela alegria, pela dança e pela homenagem ao continente africano, exigia uma roupa capaz de acompanhar a movimentação intensa no palco. Ao mesmo tempo, havia o desejo de celebrar o país que receberia a apresentação. “A ideia de usar as cores da bandeira do Brasil foi da própria Shakira. Era uma forma de mostrar o quanto ela estava orgulhosa de estar no nosso país”, afirma Giovanna.
Mais de 150 horas de bordado
Ao todo, foram produzidos sete looks: um para Shakira e seis para as dançarinas. O trabalho mobilizou cerca de 12 bordadeiras, divididas entre o ateliê e uma equipe externa. Foram mais de 150 horas dedicadas ao bordado, além do tempo de modelagem, confecção, provas e ajustes.
A produção, no entanto, não seguiu um caminho linear. Cores, texturas, bordados e caimentos foram testados, modificados e refeitos até que as peças chegassem ao resultado desejado. Para Giovanna, o maior desafio foi adaptar a linguagem da marca às necessidades de um figurino de palco.
“O bordado era algo muito familiar para a gente. Mas o movimento que elas precisavam no palco, o peso da peça e os detalhes técnicos fizeram toda a diferença para entregar um look à altura daquele evento”, explica.
Os ajustes continuaram até pouco antes da apresentação. Parte da equipe do ateliê acompanhou Giovanna no Rio de Janeiro para adaptar as peças ao corpo de Shakira e das dançarinas. Em alguns casos, foi necessário rebordar trechos dos figurinos para garantir caimento e conforto.
‘Sensação de dever cumprido’
Ver a criação em cena, diante de milhões de pessoas, foi um momento de emoção para a estilista e para todas as profissionais envolvidas no processo. Para Giovanna, a apresentação confirmou que cada detalhe pensado ao longo de mais de um mês de trabalho cumpriu sua função no palco. “Foi muito emocionante. Quando vimos ela e as dançarinas usando as peças, com todo o movimento que imaginamos, veio uma sensação muito grande de dever cumprido”, diz.
O resultado também teve peso simbólico para a marca. Mineira, brasileira e construída a partir do trabalho manual de mulheres bordadeiras, a Hisha viu seu trabalho atravessar fronteiras sem deixar de carregar as próprias raízes. “Foi muito gratificante ver Shakira cantando ‘Waka Waka’ em ano de Copa, vestindo as cores da bandeira do Brasil. A marca se sentiu representada por ser mineira e brasileira”, resume Giovanna.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy
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