Cágados-encontrados no Rio Paraibuna em Juiz de Fora

No último sábado (5), os frequentadores das margens do Rio Paraibuna, em Juiz de Fora, se depararam com uma cena inusitada: diversos cágados nadando tranquilamente nas águas do rio. A situação foi registrada pela leitora Aline Elisa, que estava próxima à Ponte Domingos Alves Pereira, conhecida como Ponte Vermelha, localizada no Bairro Santa Terezinha, na Zona Nordeste da cidade.
Os animais filmados foram identificados como cágados-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), espécie que, segundo a bióloga Vanessa Nocelli, mestre em Biodiversidade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), é comum em ambientes de água doce e adaptada ao convívio urbano. Essa espécie pode ser encontrada em rios, lagos e até em corpos d’água poluídos, demonstrando uma notável resistência.
Mais avistamentos nesta época do ano
A presença dos cágados no Rio Paraibuna é uma ocorrência que se intensifica com a chegada da primavera, marcada pelo aumento das temperaturas e pela estação chuvosa. Vanessa explica que, com o calor, os cágados tornam-se mais ativos, buscando alimento e se reproduzindo. “Com o calor, eles saem para comer e reproduzir”, afirma a especialista. A temperatura na cidade chegou a 32 graus naquele dia.
A atividade dos cágados é mais intensa entre setembro e novembro, período em que se tornam visíveis em maior quantidade, buscando se aquecer ao sol em pedras ou troncos emersa, um comportamento conhecido como assoalhamento. Estima-se que entre setembro e março os avistamentos tenham um aumento, especialmente em áreas adjacentes a corpos d’água.
A dieta dos cágados-de-barbicha é predominantemente carnívora, incluindo peixes, crustáceos e insetos, embora ocasionalmente consumam vegetais. As fêmeas dessa espécie podem crescer até 35 centímetros de comprimento, apresentando um tamanho maior que os machos.
Durante o período reprodutivo, que acontece entre fevereiro e agosto, as fêmeas fazem suas desovas em solos arenosos ou argilosos cobertos por vegetação, chegando a colocar de oito a 20 ovos. Os filhotes geralmente nascem entre dezembro e janeiro, corroborando a periodicidade de avistamento desses répteis nas águas de Juiz de Fora.
Por fim, é importante enfatizar que quem avistar um cágado não deve tentar pegá-lo ou manipulá-lo. Vanessa recomenda observar o animal à distância, já que ele está apenas seguindo seu comportamento natural. A captura pode ser arriscada tanto para o cágado quanto para a pessoa.
Com informações de Tribuna de Minas.



