Hepatites D e E no Brasil: um alerta sobre o subdiagnóstico

Embora a hepatite viral A, B e C sejam as mais conhecidas, as hepatites D e E também estão presentes no Brasil e podem causar sérias complicações. Recentemente, uma revisão de 200 estudos coordenada pelo Hospital Israelita Albert Einstein reuniu informações de mais de 14,5 milhões de pessoas, revelando dados preocupantes sobre a incidência dessas infecções, que frequentemente passaram despercebidas.
A pesquisa, publicada na revista PLOS One em julho, integra o projeto “Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas”. Este projeto visa contribuir para a meta de eliminação das hepatites virais no Brasil através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Os resultados mostram que a prevalência das hepatites D e E pode ser subestimada em várias regiões do país.
Prevalência alarmante nas regiões
Dados apontam que a hepatite D alcança até 23,9% na região amazônica, enquanto a hepatite E registrou índices de até 59% em estudos feitos no Sul do Brasil. João Renato Rebello Pinho, patologista e coordenador da pesquisa, enfatiza que é crucial reconhecer essas formas menos conhecidas de hepatite para melhorar o diagnóstico e as estratégias de eliminação das infecções virais.
As transmissões de hepatite D e E diferem conforme suas origens, sendo que a primeira exige a presença do vírus da hepatite B para se instalar e evoluir no organismo. Isso indica que a vacinação contra hepatitis B também é uma estratégia importante na prevenção de infecções pelo vírus D. As duas infecções requerem atenção especial devido ao seu potencial para causar lesões severas no fígado.
A hepatite E, por sua vez, é transmitida principalmente por água ou alimentos contaminados, tendo um comportamento menos agressivo no Brasil. Contudo, pode ocasionar complicações graves, como a necessidade de transplante. A relação do vírus E com a criação de suínos também é alvo de resistência; a infecção é mais comum em pessoas que trabalham ou vivem em áreas próximas a animais contaminados, o que chama a atenção para a falta de monitoramento e diagnósticos.
A carência de estudos aprofundados sobre as hepatites D e E contribui para a dificuldade em entender a circulação dos vírus e as populações mais vulneráveis. A análise revelou que, dos 200 estudos considerados, apenas 30 focaram na hepatite E, um indicativo da necessidade de mais dados e pesquisas que possam guiar intervenções eficazes no tratamento e prevenção das hepatites no Brasil.
Com informações de Tribuna de Minas.


