Zona da Mata

STF inicia investigação sobre financiamento de filme de Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar os repasses do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o filme “Dark Horse”, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As investigações surgem após mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro, filiado ao PL do Rio de Janeiro, e Vorcaro, nas quais Flávio solicitava apoio financeiro para a produção do filme. Documentos e áudios dessa comunicação foram divulgados pelo site Intercept Brasil. O senador alegou que o pedido era para patrocínio e não indicou irregularidades.

Autorização e Coordenação de Investigações

A autorização para o inquérito foi feita por meio de um pedido da PF, que recebeu um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), liderada pelo procurador-geral Paulo Gonet, que considerou haver evidências suficientes para a abertura da investigação. Além disso, a PGR também decidiu arquivar um pedido de investigação feito pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), acatado pelo ministro Mendonça.

A PF já havia aberto anteriormente um inquérito para verificar possíveis direcionamentos de emendas parlamentares a entidades associadas à produção do filme, sob a relatoria do ministro Flávio Dino no STF. O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu que Mendonça seria o relator das investigações sobre a relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro.

Em junho, o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, havia solicitado uma nova investigação sobre os recursos financeiros transferidos por Vorcaro aos Estados Unidos, alegando que poderiam haver ações conspiratórias contra o Brasil. O suporte ao filme “Dark Horse” continue sendo uma questão sem esclarecimentos detalhados, mesmo após Flávio Bolsonaro prometer a divulgação de uma planilha relativa aos gastos em 30 dias, o que não ocorreu.

De acordo com novas informações do Intercept Brasil, Flávio negociou um total de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) para o financiamento do filme, sendo que o repasse efetivo foi de pelo menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) até maio de 2025. A empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção, alega que gastou R$ 75 milhões na produção e que os valores foram obtidos de um fundo sediado nos Estados Unidos, controlado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Esse fundo, chamado Havengate, teria recebido os US$ 10,6 milhões do empresário Vorcaro, conforme pedido de Flávio.


Com informações de Tribuna de Minas.

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