Zona da Mata

A polêmica da representação digital na política brasileira

Um recente vídeo gerado por inteligência artificial, apresentado na convenção do Partido Liberal (PL) em 25 de julho, causou reações e reflexões sobre o uso de representações digitais na política. No material, uma simulação de Jair Bolsonaro aparece manifestando apoio à candidatura do seu filho, Flávio. Desde o início, Bolsonaro deixa claro que não é ele, mas sim uma criação tecnológica que imita sua imagem e voz.

Esse evento acendeu um debate sobre a realidade da representação e o poder que uma imagem gerada por tecnologia pode exercer sobre o eleitorado. O caso nos lembra o episódio da série Black Mirror intitulado “The Waldo Moment”, que apresenta um personagem animado sem corpo ou convicções próprias, liderando uma campanha. Embora Waldo não possua uma biografia, ele consegue mobilizar votos, o que sugere que o valor da presença política pode ir além do físico.

Desafios jurídicos e éticos

A abordagem da propaganda eleitoral com o uso de conteúdos sintéticos é regulamentada no Brasil pela Resolução TSE n.º 23610/19, que atualizou regras para incluir esse tipo de material. As diretrizes exigem que esses conteúdos sejam claramente identificados e vedam seu uso de forma a enganar o eleitor.

A apresentação do vídeo gerado por IA também levanta questões sobre direitos e responsabilidades. Se uma figura pública pode se furtar de um evento, sua versão digital pode assumir seu lugar? A questão de quem realmente está se manifestando é crucial: será o roteirista, o partido, o candidato aliado ou a própria imagem reproduzida? As definições de presença e representação na política estão mudando à medida que a tecnologia avança. Enquanto a obra de ficção sugere uma desconexão entre imagem e presença, a realidade nos apresenta uma nova era onde essa separação é cada vez menos clara.

Por fim, a presença de representações digitais na política nos força a reconsiderar como tratamos questões de responsabilidade e autorias. O desafio é adaptar as leis e a ética ao novo cenário que se forma com a evolução tecnológica, sem descartar a necessidade de regulamentação e transparência.


Com informações de Tribuna de Minas.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo