Tribuna de Minas

‘O autoral sustenta todo artista’: Matheusinho defende originalidade no pagode

(Mateusinho se apresenta neste sábado em Juiz de Fora (Foto: Divulgação)
Matheusinho não esperou convite para entrar no pagode – ele mesmo foi abrindo o caminho pelas redes sociais, postando vídeos no Instagram até que os nomes certos parassem para ouvir. E ouviram: Ferrugem, Suel, Sorriso Maroto, Thiaguinho, Péricles e Mumuzinho foram alguns dos que reconheceram o talento do jovem criado na Baixada Fluminense, que tinha afinado a voz como backing vocal na igreja e se formado musicalmente entre o gospel e a black music. Dessa escuta veio o empurrão que faltava – e daí em diante vieram os sucessos “Me namora”, “Parou e pensou” e uma carreira que não parou de crescer.
O Rolezin do Matheusinho, projeto que nasceu do desejo de se mostrar mais solto no palco, longe dos roteiros engessados dos shows tradicionais, virou marca registrada de um jeito de fazer pagode que aposta na proximidade e na verdade do artista. Neste sábado (25), ele se apresenta em Juiz de Fora no Vibrare Eventos, a partir das 20h, para o Aniversário da Live Produções – festa que conta ainda com Yan, grupo Tá na Mente e grupo Alquimia na programação. Em entrevista à Tribuna, Matheusinho falou sobre a identidade artística, o crescimento do Rolezin e o que o público pode esperar desta noite.​​​​​​​​​​​​​​​​
Tribuna: Em um gênero tão marcado por grandes referências e por uma tradição muito forte, como você constrói a sua identidade artística sem se prender ao passado, mas também sem ceder à lógica da novidade pela novidade?
Matheusinho: Nós somos feitos de uma mistura de referências, não só na música, mas tudo na vida. Óbvio que uma coisa sempre vai parecer com outra que já existe, mas temos que ter cuidado pra não ficar idêntico. Eu tomo muito cuidado com isso. Nós temos um trabalho de regravações na nossa Label Rolezin do Matheusinho, mas a gente nunca esquece da parte autoral que é o que sustenta todo artista. Então tento trazer minha forma de cantar que eu percebo ser diferente da maioria, por ter sido criado na igreja e muito envolvido com a música gospel e black.
O pagode vive hoje um momento de renovação e grande visibilidade. Na sua leitura, o que impulsiona essa fase: uma transformação do público, uma mudança na postura dos artistas ou uma nova forma de apresentar e narrar o gênero?
Acredito que a internet ajudou demais nisso. Antigamente você ouvia o que tocava no rádio/tv ou repetia o mesmo CD centenas de vezes, hoje você pode escolher o que quer ouvir, e assim abre mais o leque de opções.
O Rolezin do Matheusinho parece ir além do formato tradicional de show e apostar mais em experiência e proximidade. Como surgiu esse projeto e o que ele revela sobre o momento artístico e pessoal que você vive hoje?
Eu sempre tive muita vontade de fazer um projeto mais à vontade, sem seguir aquela linha quadrada de repertório de show tradicional, e a ideia do Rolezin veio exatamente daí. Eu sou um cara muito descontraído, apesar de ser tímido, pensamos no Rolezin pra mostrar um pouco mais do Matheus de forma mais solta no palco, sem muitas responsabilidades como num show formal, e acredito que por isso aproxima tanto do público, eles gostam de consumir a verdade do artista, e esse sou eu.
O que muda em você quando está no lugar de compositor e quando está no lugar de intérprete? E há alguma música com a sua assinatura que te dá um orgulho especial justamente porque muita gente ainda não sabe que nasceu de você?
Olha, depois que eu participei do programa Aqueles Caras no YouTube, muitas pessoas acreditaram na história que eu contei de ser compositor de várias músicas de sucesso, mas a verdade é que eu tenho poucas músicas gravadas, mas amo todas que eu fiz. O vídeo não passou de uma brincadeira. Mas acredito que não haja muita diferença do Matheusinho compositor para o intérprete, ambos só querem fazer arte com verdade e amor.
Como costuma nascer uma composição sua: de uma vivência, de uma frase, de uma melodia ou da emoção que você quer transmitir? E, nesse processo, que temas ou sentimentos aparecem com mais frequência nas suas letras, até de forma inconsciente?
Eu costumo começar sempre pela melodia, por ter mais facilidade em criar, confesso que letra é meu calcanhar de Aquiles (risos), mas pra isso conto com parceiros que me ajudam a finalizar a música e, no final, fica tudo lindo. Na maioria das vezes são músicas de sofrência, às vezes saem umas de amores que deram certo, mas a maioria é pra sofrer
Você está vindo para Juiz de Fora, uma cidade que valoriza muito a música ao vivo e tem um cenário local de grande espaço para o pagode. O que essa passagem representa para você e o que o público juiz-forano pode esperar de especial dessa apresentação?
Sempre sou recebido de uma forma muito calorosa em JF, sinto que sou muito amado e também amo cantar nesse lugar. Tenho certeza que vai ser mais um show incrível e espero que todos curtam com a gente.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy 
Serviço
Aniversário Live Produções com Mateuzinho, Tá na Mente, Yan e Alquimia 
No sábado (25), às 20h
No Vibrare Eventos (Av. Engenheiro Valdir Pedro Monachesi, 620 – Aeroporto)
Classificação: 18 anos
Ingressos no Central de Eventos
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