Tribuna de Minas

‘Onde tem uma guitarra, tem rock n’ roll pulsando’, diz vocalista da Nação Zumbi antes de show em Juiz de Fora

A Nação Zumbi se apresenta neste sábado (2), na Praça Tarcísio Delgado, às 20h, durante o festival gratuito Dia de Rock. Ícone pernambucano há mais de 30 anos, a banda mistura o rock com maracatu, elementos do hip hop, funk e música eletrônica. Além disso, trouxe para suas letras ciranda e cordel, tendo inaugurado o movimento “manguebeat” que revolucionou o cenário nacional e se manteve relevante desde então. O vocalista Jorge du Peixe, que está desde a formação original e assumiu nessa posição após a morte de Chico Science, contou para a Tribuna que o público juiz-forano pode esperar um setlist que revisita essa longa carreira e, ao mesmo tempo, mostra as várias transformações pelas quais passaram. 
‘O dia a dia nos traz novas referências e intenções’, diz Jorge do Peixe (Foto: Reprodução/ redes sociais)
Desde que começaram na música, a Nação Zumbi sempre teve orgulho de misturar referências. É por isso que hoje, com 32 anos de carreira, continuam buscando sempre algum frescor e bebendo de fontes variadas. “A gente acaba de um disco para outro, de um dia para outro, sempre influenciado por algum gênero. E não só influência de música, mas de cinema, quadrinhos, literatura, amigos. O dia a dia nos traz novas referências e intenções”, conta Jorge du Peixe. Mas estar presente no Dia de Rock, é claro, faz pensar sobre o gênero que os alimentou desde o começo — e que traz uma carga musical grande para a banda.
Na visão dele, que conta que os membros da Nação Zumbi sempre foram “fuçadores de sebo” e hoje conseguem se atualizar sobre música de forma muito mais fácil com ferramentas tecnológicas, buscando referências até na música argelina, há várias subdivisões no rock atual. E por isso entende que o referencial de rock se diluiu um pouco em vários gêneros e subgêneros, mas sua força não: “Onde tem uma guitarra, de alguma maneira, pode se dizer que tem rock n’ roll pulsando”, destaca. 
O músico de álbuns como “Da lama ao caos” (1994) e “Afrociberdelia” (1996) entende que, em tempos de Inteligência Artificial e redes sociais alterando o cotidiano das pessoas, é no palco que os encontros mais fortes acontecem. “A gente sempre gostou e se divertiu no palco. É quando vemos as reações mais orgânicas”, conta ele. Em turnês que costumam reunir os sucessos da carreira, inclusive, é a partir dos fãs que “medem” o que está faltando e o que não está. E também onde percebe o alcance do movimento que iniciaram. “A gente fez turnê na Europa no ano passado e apareceu um cara com o filho e contou: ‘Meu pai me trouxe no show, eu tô trazendo meu filho’. Pensei, que absurdo! E é bom, bonito isso”, diz.
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Em constante transformação
A Nação Zumbi passou por algumas mudanças em sua formação: dos membros iniciais, restaram Jorge du Peixe, o baixista Dengue e o percussionista Toca Ogan. Mas quando se refere à banda, o vocalista sempre fala como uma unidade. “O que movimenta tudo é gostar de tocar. A gente gosta muito do que faz, gostamos muito de música. Ainda respiramos tudo isso. Escuto música enquanto durmo, e às vezes sonho muito com música também. Estamos dentro de tudo isso e a ideia é continuar levando tudo que começamos”, conta ele.
O mote maior para eles, desde que começaram, inclusive, era nunca se repetir. “A ideia do manguebeat sempre se calçou em derrubar monolitos, pelo plural. A gente sempre quis alçar esse voo em diferentes lugares”, conta. Mas em um mundo cada vez mais conectado, no entanto, ele não nega que os atravessamentos por ferramentas tecnológicas acontecem. E opina sobre o cenário dizendo que prefere a “inteligência real”. “São meros residuais digitais que se desdobram pra fazer algo parecido com algo parecido. Já ouvi algumas coisas que me falaram pra ouvir, que as pessoas ficaram impressionadas. Mas acho muito duro. É de certa forma um atalho pra quem não consegue fazer e acaba lesando muitos setores de trabalho.”
Para ele, não é o que interessa no fazer artístico. “Estou nos moldes tradicionais e artesanais. Eu gosto do processo criativo, dessa fase. O que ainda não existe e está nascendo, o que estamos abrindo janelas”, diz. No que diz respeito a abrir janelas, sabe que o movimento do qual faz parte teve esse papel para muitas gerações, e escuta relatos variados — desde os jovens que tentam fazer igual até os que perceberam que é possível fazer de tudo a partir do que criaram. E, sobre isso, relembra a letra do amigo Chico Science, em “Um passeio no mundo livre”: “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”.
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