Por que Minas Gerais é considerada decisiva nas eleições presidenciais? Entenda

(Foto: Fernando Priamo / Arquivo TM)
“Quem ganha em Minas, ganha no Brasil”: A cada eleição presidencial, Minas Gerais volta ao centro das articulações políticas nacionais. Candidatos, partidos e lideranças de diferentes campos políticos-ideológicos costumam dedicar atenção especial ao estado, considerado um dos mais importantes do país para a disputa pelo governo federal. Parte dessa explicação está relacionada à própria formação política e cultural mineira.
Luiz Ademir de Oliveira, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), a compreensão passa pelo conceito de mineiridade, desenvolvido por diferentes pesquisadores ao longo das últimas décadas.
Em momentos estratégicos da política nacional, políticos mineiros, como Tancredo Neves, exerceram papel crucial de unificar o país, buscando conciliar conflitos. O mesmo pode ser aplicado ao caso de Itamar Franco, quando assumiu a Presidência em 1992, depois da renúncia de Fernando Collor de Mello, agregando lideranças dos diferentes espectros ideológicos: centro, direita e centro-esquerda.”, afirma.
outsiders da política, Minas Gerais passou a ter lideranças que romperam com a ideia de conciliação. Assumiram discursos mais tensionados e, de certa forma, fogem ao modelo do que se entende como a política mineira dos embates mais civilizados”, observa, mencionando o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), e o agora ex-governador e pré-candidato à Presidência do Brasil, Romeu Zema (NOVO), como nomes desse movimento de ascensão dos outsiders – lideranças e candidatos que se apresentam como externos ao sistema político já estabelecido.
“Estado-síntese”
Além dos aspectos históricos, o comportamento eleitoral ajuda a explicar o peso de Minas nas eleições presidenciais. Os resultados das últimas décadas mostram uma forte convergência entre o desempenho dos candidatos no estado e o resultado nacional.
uma similaridade muito grande do resultado tanto do primeiro turno quanto do segundo turno no Brasil e em Minas Gerais. Quem ganhou em Minas, ganhou no Brasil”, destaca.
diversidade regional do estado. Com 853 municípios e características distintas entre suas regiões (quanto ao viés econômico, social e cultural), Minas acaba refletindo tendências presentes em diferentes partes do país.
Zona da Mata, que tende a ter uma disputa bem acirrada entre o candidato de direita ou centro-direita versus o candidato de centro-esquerda”.
A disputa pelos palanques
Essa combinação de fatores ajuda a explicar por que Minas Gerais se tornou peça estratégica para projetos nacionais de poder. Na avaliação de Luiz Ademir, vencer no estado tem peso eleitoral, já que o estado é o segundo maior colégio eleitoral do país – atrás, apenas de São Paulo –, mas também simbólico.
estado-síntese’, um retrato do eleitorado brasileiro. Vencer em Minas, além de ter uma dimensão simbólica muito forte, também pode ser decisivo em eleições muito acirradas, como a de 2014, a de 2022 e como deve ser a de 2026”, defende o professor.
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