Tribuna de Minas

Quais dados você entrega toda vez que clica em “Aceitar todos os cookies”?

(Imagem: IA)
 
Pelo menos desde 2020, ficou comum ler em quase toda página da internet brasileira as opções “Aceitar todos os cookies” ou “Rejeitar cookies”. Clicamos uma vez no botão desejado e seguimos em frente para nossos reais interesses virtuais.
Porém, esse simples gesto esconde uma escolha importante de ceder o direito a acesso a dados pessoas e atividades virtuais de forma fragmentada. Pesquisas recentes indicam que o Brasil é o país em que mais foram vazados cookies no mundo, com 7 dos 94 bilhões desse tipo de informação sendo comercializadas e compartilhadas em redes criminosas virtuais.
Na leitura a seguir, serão cobertas todas as informações fundamentais sobre o uso de cookies, roubos e suas consequências e formas de se precaver contra o crime digital.
O que são os cookies?
Cookies são pequenos arquivos de texto que os sites que visitamos salvam em nossos computadores ou celulares para “lembrar” de nós. Eles guardam informações úteis, como nome de usuário, preferências de idioma ou os itens que nós deixamos guardados em um carrinho de compras.
É como se o site nos desse uma etiqueta de identificação para que, na próxima visita, ele já saiba quem somos e facilite a nossa navegação. Há uma grande variedade de cookies e alguns sites rastreiam mais informações do que outros – passando a ser também instrumentos de monitoramento pessoal.
Alguns dos sites que mais usam desse artifício para personalizar a experiência de navegação e monitorar ações são as plataformas de comércio eletrônico.
A Amazon, por exemplo, além dos cookies já mencionados aqui, também usa cookies de publicidade para entender preferências de consumo pessoais e exibir anúncios relevantes não apenas dentro do site da Amazon, mas também em outros e em redes sociais. A plataforma também permite que empresas terceiras rastreiem o comportamento do usuário com seus próprios cookies.
Assim, os cookies podem ser bem específicos no monitoramento da navegação. Podem guardar informações sobre sites visitados antes e depois, como o usuário clicou, rolou a tela e interagiu com elementos do site e indicar endereço de IP, aparelho e navegador utilizados.
Justamente por registrar tantos dados, a Lei Geral de Proteção de Dados impulsionou desde 2020 a exibição clara e obrigatória da opção de aceitar ou rejeitar os cookies nos sites brasileiros.
Como cookies são roubados?
Os criminosos podem recorrer a diferentes métodos para acessar cookies com informações sensíveis. Essa ação pode ser bastante discreta, sem que a vítima perceba ter sido lesada até que alguma consequência mais grave se manifestem.
Ataques man-in-the-middle
Trata-se da interceptação da conexão com a internet para roubar dados com os cookies. Redes públicas de internet não seguras são as mais propensas a esse tipo de investida, que pode ser evitada com o uso de uma VPN.
Phishing
Ataques deste tipo são fraudes talhadas para convencer vítimas a compartilhar informações pessoais. Podem ser usadas para obter diversos dados, incluindo cookies, que permitem a invasores ultrapassar processos de autenticação de serviços digitais.
Malware
Malware é o outro nome para os programas daninhos conhecidos como “vírus”. Alguns desses programas são desenhados para roubar cookies ou copiá-los e enviá-los a um agente mal-intencionado.
Consequências concretas do roubo de cookies
Como vimos anteriormente, cookies podem ser vários tipos de fragmentos de informação. Muitos deles são dados anônimos, enquanto outros podem trazer informações sensíveis como:
Nome completo
Endereços de e-mail
Senhas
Cidades
Endereços físicos
Desta maneira, quando em posse de criminosos, muitos dos dados podem ser cruzados para formar perfis pessoais complexos. Além disso, são utilizados diariamente para cometer fraudes, invasões de contas de serviços online e até roubo de identidade na internet.
Como diminuir minha exposição ao roubo de cookies?
Apesar do panorama preocupante de vazamentos de cookies no Brasil, é possível tomar uma série de medidas individuais para evitar problemas.
Investir em privacidade
Cookies coletam dados muito pessoais. Além do gerenciamento, um jeito adicional de melhorar sua privacidade é criptografar seus dados com uma VPN.
Uma VPN é um serviço de navegação por servidores virtuais privados. Ele introduz uma camada de privacidade, principalmente criptografando todas as comunicações feitas online e maquiando a localização geográfica (o endereço IP). Assim, nem todos os serviços de VPN são iguais. Na verdade, os recursos e funcionalidades podem mudar muito de acordo com cada opção de mercado.
Encontrar uma VPN rápida grátis, por exemplo, não é tão simples quanto contratar um serviço pago. Essa diferença entre VPNs existe porque os modelos gratuitos costumam ter uma rede de servidores menos ampla e com desempenho inferior. Algumas das empresas prestadoras chegam a vender dados de usuários para bancar suas operações, o que inspira cautela no consumidor.
Gerenciar cookies
Manter uma postura proativa com relação aos cookies é outra ótima maneira de zelar pela segurança e privacidade digital. Muitos deles são opcionais para a navegação, portanto nem precisam ser aceitos – é possível escolher no começo da navegação do site, conforme já mencionado.
Alguns navegadores, como Brave ou Opera, oferecem navegação mais privativa e bloqueiam cookies como configuração inicial. A opção por programas como esses ou então outros programas de cibersegurança (algumas VPNs, por exemplo) ensejam bloquear cookies de monitoramento sem esforço e são boas alternativas.
Configurar o navegador de internet
Além disso, é recomendável apagar cookies com certa frequência. Isso pode ser feito nas configurações do navegador de internet, geralmente na seção do “Histórico”. Às vezes, os cookies também são relacionados na seção de “Privacidade e Segurança” do navegador.
Lembre-se que, ao excluir cookies, as memórias do site em relação a sua navegação também serão apagadas. . Então, salve o que for necessário antes e não hesite em manter essa higiene digital. Sua privacidade e cibersegurança agradecem.
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