Juiz de Fora enfrenta reconstrução sob nova realidade climática

Após um dos maiores temporais já registrados em fevereiro de 2023, Juiz de Fora inicia um complexo processo de reconstrução. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre, Jean Ometto, enfatiza que as autoridades precisam ir além da simples restauração da infraestrutura local e considerar a frequência crescente de eventos climáticos extremos.
Jean Ometto, que possui experiência em relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), alerta que as mudanças climáticas não podem mais ser vistas apenas como incidentes isolados. Em comentários feitos durante o XX Congresso Brasileiro de Limnologia, realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora, Ometto discutiu a importância da adaptação urbana às novas realidades climáticas, evidenciadas pelas chuvas drásticas que afetaram a cidade recentemente.
Desafios na gestão da água e das cidades
O pesquisador destacou que a urbanização e o aumento populacional intensificam a demanda por recursos hídricos essenciais. Segundo ele, essa questão se entrelaça com a intensidade das secas e inundações, uma vez que as populações urbanas dependem cada vez mais da qualidade e quantidade de água. Historicamente, as variações climáticas sempre existiram, mas atualmente a normalidade climática está mudando, resultando em desastres mais frequentes, como os observados em Juiz de Fora.
A intensificação dos eventos climáticos é atribuída a dois fatores principais: o aquecimento global e a urbanização. Ometto observa que 85% da população brasileira reside em áreas urbanas, muitas das quais não foram projetadas para as novas condições climáticas que enfrentamos hoje. Isso exige um repensar das cidades dentro desse novo paradigma.
No contexto da reconstrução, Ometto reforça a necessidade de integrar a perspectiva climática na gestão pública, incluindo no Plano Diretor da cidade e nos planos de gestão de recursos hídricos. Ele alerta para a importância de considerar a possibilidade de a cidade enfrentar fenômenos semelhantes ao que ocorreu em fevereiro.
Pelo menos uma abordagem que poderia aumentar a resiliência da cidade inclui a implementação de sistemas de alerta e melhoramentos na drenagem urbana. O pesquisador destaca como é crucial que as cidades estejam preparadas para eventos climáticos, a fim de minimizar danos e preservar vidas humanas.
A justiça social também aparece como um aspecto fundamental nas estratégias de adaptação urbana. Muitas vezes, as populações mais vulneráveis são as mais afetadas pelos desastres naturais, e é vital que as políticas públicas considerem essas disparidades ao planejar a resiliência das cidades.
Jean Ometto conclui que o INPE oferece diversas ferramentas e dados, como a plataforma AdaptaBrasil, que auxilia gestores na análise de riscos climáticos em municípios. Essa conexão entre ciência e gestão pública é essencial para decisões mais informadas e eficazes no contexto da mudança climática.
Com informações de Tribuna de Minas.


