Relembrando o Som Aberto: um marco cultural em Juiz de Fora

Nos anos 70, aos sábados pela manhã, o campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) se tornava ponto de encontro para a comunidade local, sedenta de cultura e arte. A iniciativa conhecida como Som Aberto movimentava o espaço, com shows, poesias, exposições e até sessões de cinema. Surgido no Diretório Central dos Estudantes (DCE), o evento ofereceu um refúgio para as manifestações culturais em meio à repressão da ditadura militar.
O Som Aberto, que teve sua primeira fase entre 1970 e 1974, retornou brevemente em 2016 e 2017, reunindo milhares de pessoas na Praça Cívica em clima de celebração e liberdade. Xico Teixeira, um dos idealizadores, lembra que o evento foi um símbolo de resistência e criatividade entre estudantes, permitindo que muitos artistas emergissem suas carreiras. A banda A Pá, formada por alunos de várias áreas, simbolizava essa união em prol da arte.
Momentos icônicos do passado cultural
Artistas de destaque, como João Bosco e Sueli Costa, marcaram presença em suas primeiras apresentações no Som Aberto. Bosco chegou ao evento de moto, trazendo a autenticidade de suas raízes, enquanto Costa, que cursava Direito, inspirava com suas letras em um cenário onde as artistas femininas raramente tinham espaço. Outros músicos, como João do Vale, trouxeram ritmos do nordeste, e tributos a figuras como Raul Seixas movimentaram o festival
No retorno do evento, artistas como Lô Borges reviveram o espírito do Som Aberto, unindo música, gastronomia e até yoga em uma vibe de comunhão. No entanto, o Pró-reitor de Cultura da UFJF, Marcus Medeiros, afirmou que o retorno ao formato original é quase inviável, devido às dificuldades de reunir a comunidade além da efervescência cultural que o evento proporcionava na década de 70. A falta de um ideal comum entre os jovens hoje torna a proposta desafiadora.
A história do Som Aberto, rica em resistência e expressão artística, continua viva nos testemunhos de quem fez parte desse importante momentâneo cultural de Juiz de Fora. Embora o evento não tenha hoje um retorno previsto em sua forma tradicional, o legado deixado faz parte da memória coletiva da cidade.
Com informações de Tribuna de Minas.

