Zona da Mata

Medo de agressões políticas alcança 59,6% entre brasileiros

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que 59,6% dos brasileiros acima de 16 anos temem agressões físicas em razão de suas escolhas políticas. Esse número, embora ainda alarmante, representa uma diminuição em relação aos 68% registrados em 2022.

A pesquisa também indica variações significativas no medo de violência política entre diferentes grupos. Mulheres são as que mais relatam medo, com 65,5%, enquanto entre os homens esse número é de 53,1%. Entre as raças, a população negra (61,4%) expressa um temor maior em comparação aos brancos (56,7%). O medo é mais intenso nas classes D e E (64,2%), seguido pela classe C (58,9%) e, finalmente, por A e B (54,9%).

Dados de agressões e perfil das vítimas

A pesquisa ainda trouxe à tona dados preocupantes sobre agressões físicas motivadas por política: 2,2% da população, o que equivale a cerca de 3,6 milhões de pessoas, afirmam ter sido agredidas por suas opiniões políticas no último ano. O estudo destacou que homens (2,9%) foram mais vítimas do que mulheres (1,5%). Dentro das categorias de raça, negros (2,6%) também lideram em casos de agressão, quando comparados a brancos (1,4%). As classes D e E registram a maior incidência de vitimização, com 3,5%.

A pesquisa chamou a atenção para o aspecto institucional da violência política. A professora e pesquisadora da UFMG, Ludmila Ribeiro, explica que essa violência pode ser física, psicológica, simbólica e institucional, sendo desendendo do desejo de controlar os direitos políticos. Ela frisa que a eleição de 2022 já foi marcada por episódios de violência política, e as expectativas para 2026 são preocupantes.

Um dos casos emblemáticos mencionados foi de um agente penitenciário assassinado durante uma festa de aniversário devido a questões partidárias, exemplificando a gravidade do tema. Ribeiro também alertou para a violência institucional, onde órgãos públicos ou empregadores coagem cidadãos com o intuito de guiar suas escolhas eleitorais.

Diante desse panorama, Ribeiro ressalta a importância do exercício do voto como um direito fundamental em uma democracia estável. Com as eleições se aproximando, ela adverte que um clima de medo pode se intensificar, especialmente em relação à presença de facções criminosas em determinados bairros, onde cerca de 3,3% da população relatou ter sido agredida por sua posição política.

Essas estatísticas revelam um cenário complexo e preocupante, que traz à luz a necessidade de medidas adequadas de segurança e proteção ao exercício dos direitos políticos no Brasil, essenciais para garantir um ambiente eleitoral saudável e democrático.


Com informações de Tribuna de Minas.

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