OMS atualiza diretrizes para prevenção da demência

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou novas diretrizes com o objetivo de diminuir o risco de declínio cognitivo e demência. As orientações, publicadas na última quarta-feira (15), revisam as recomendações feitas em 2019, incorporando novas evidências científicas.
A OMS destaca que, até o momento, não existe um tratamento acessível que possa curar a demência ou modificar seu progresso, reafirmando que a prevenção ao longo da vida é a forma mais eficaz de evitar novos casos. Atualmente, 57 milhões de pessoas são afetadas por demência no mundo, sendo que até 45% dos casos estão ligados a fatores de risco que podem ser alterados. No Brasil, essa cifra se eleva para cerca de 59%. Cleusa Ferri, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca a importância dessa taxa como um indicativo das oportunidades disponíveis para a prevenção.
Novidades nas diretrizes
A atualização revisa evidências recentes e amplia as recomendações para incluir novas condições associadas ao risco de demência. As diretrizes anteriores já listavam problemas como obesidade, diabetes e teor elevado de colesterol; agora, acrescentam à lista infecções por HIV, acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cranianos, poluição do ar e deficiência visual. A poluição do ar, em particular, é uma nova inclusão que a OMS sugere que seja minimizada, visto que a exposição a partículas finas pode influenciar no desenvolvimento de problemas cognitivos.
As principais recomendações para a diminuição do risco de demência continuam as mesmas: praticar exercícios físicos regularmente, manter uma dieta equilibrada, evitar fumar, reduzir o consumo de álcool, controlar o peso, tratar condições como diabetes e hipertensão, corrigir a perda auditiva e manter o cérebro ativo. As orientações também ressaltam a importância de viver socialmente ativo.
Por outro lado, diretrizes sobre o uso de suplementos, como vitaminas B e E ou ômega-3, foram reiteradas, afirmando que não devem ser utilizados para prevenção em pessoas sem deficiência nutricional. A terapia de reposição hormonal também não é recomendada neste contexto.
Para o futuro, Cleusa sugere a inserção das questões relacionadas à demência nas estratégias de prevenção de doenças crônicas, complementando as ações já existentes no Brasil. Ela também chama atenção para a falta de pesquisas em diversas populações e a necessidade de colmatar as lacunas que persistem no conhecimento científico.
Com informações de Tribuna de Minas.


