Zona da Mata

Cidades de MG estão em apuração sobre emendas de Cunha

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, teve seus bens bloqueados em até R$ 6 milhões pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação é resultado de uma investigação da Polícia Federal (PF), que aponta Cunha como um “agente privado” dentro do Parlamento, que, embora não possua mandato, teria destinado 21 emendas parlamentares a municípios mineiros equivalentes ao valor bloqueado.

O bloqueio foi determinado no âmbito da Operação Transparência, e a PF afirma que os repasses de emendas eram realizados através de documentos falsificados que omitiam o nome de Cunha. Entre as evidências, identificou-se uma ex-assessora de Cunha, que continuava atuando como servidora na Câmara, como a responsável pelos trâmites das emendas.

Evidências em diversos municípios

Diverse cidades da Zona da Mata estão envolvidas no esquema, dentre elas Manhuaçu, distante 289 quilômetros de Juiz de Fora. Cunha teria alertado sobre problemas relacionados a uma emenda nesse município, mencionando que precisava de um ofício de um deputado estadual para garantir que a emenda não fosse contestada.

Além disso, as discussões acerca da destinação de verbas incluíam cidades como Matias Barbosa, onde o valor acordado de R$ 2 milhões foi reduzido a R$ 1,349 milhão, e Lajinha, citada em conversas onde valores e possíveis dificuldades no envio de recursos eram abordados com detalhes. A tabela mencionada nas investigações alude ainda a outros 12 municípios da região, contemplando valores variados, e revela um entrelaçamento crítico entre documentos recuperados de celulares e dados oficiais.

Na decisão, o ministro destacou que as evidências sugerem que Cunha operava com uma influência política maior que a de parlamentares em exercício, realizando direcionamentos de verbas federais de maneira não autorizada.

A defesa de Eduardo Cunha se manifestou afirmando que desconhece qualquer irregularidade nas emendas referentes aos municípios mencionados. Segundo a defesa, Cunha não está exercendo mandato e, portanto, não formalizou as emendas. Eles reafirmam que sempre respeitaram os padrões éticos e legais de conduta, salientando que a defesa busca acesso completo à investigação para se posicionar sobre os fatos.


Com informações de Tribuna de Minas.

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