ONS bloqueia geração de energia excedente novamente em 2023

No último domingo (23), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementou, pela segunda vez em 2023, um plano emergencial para diminuir a produção de energia elétrica devido ao excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN). A interrupção ocorreu entre 11h e 13h30 e afetou exclusivamente as distribuidoras, sem impactos diretos para os consumidores.
A decisão foi tomada em face de uma previsão de consumo reduzido no fim de semana, com o intuito de garantir a segurança do sistema elétrico. O plano visa restringir a operação das usinas do Tipo 3, que incluem pequenas centrais hidrelétricas, usinas eólicas e solares, e instalações que utilizam biomassa.
Estratégias de gerenciamento energético
No contexto de sua atuação, o ONS já havia adotado medidas similares em junho deste ano, durante o feriado de Corpus Christi, intervalando a geração de 1 mil megawatts (MW) entre 10h e 14h. Esse mecanismo foi criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com o objetivo de lidar com os novos desafios impostos pelo aumento da geração distribuída, especialmente a solar, que naquela época representou 37,6% da demanda nacional.
Os altos níveis de oferta, em disputas críticas, quase levaram a um colapso energético, levando o ONS a realizar cortes drásticos, que incluíram uma desativação de 98,5% da geração solar e eólica centralizada. Para prevenir problemas semelhantes, está em desenvolvimento o Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), que possibilitará cortes automáticos de até 3 gigawatts (GW) durante situações de estresse no sistema.
Essa inovação foi anunciada pelo ONS em uma reunião na última quinta-feira (20) e deverá passar por um projeto-piloto, a ser executado até o final de 2026. Se obtiver sucesso, a implementação completa poderá começar em 2027. Atualmente, a capacidade total da geração distribuída no Brasil é de aproximadamente 50 GW, e o crescimento desse setor representa uma complexidade adicional para a gestão do sistema elétrico, uma vez que parte da energia gerada não é diretamente monitorada pelo operador.
As distribuidoras de energia seguirão as instruções estabelecidas pelo ONS e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) enfatizou a necessidade de procedimentos claros para garantir a segurança operacional e jurídica nas ações necessárias para a gestão do excesso de energia.
Com informações de Agência Brasil.

