A Diplomacia das Cidades e os Novos Rumos do Desenvolvimento

A dinâmica da transformação global está presente em nosso cotidiano: no trabalho, nos estudos e nas tarefas diárias, muitas vezes não percebemos como essas mudanças internacionais afetam nossa realidade local. Durante muito tempo, a relação entre Estados e organizações internacionais foi entendida através do realismo político, que considera os interesses exclusivamente nacionais como motor da política externa. No entanto, a partir da década de 90, a globalização foi estabelecida, criando laços de interdependência que atenuaram as barreiras geográficas ao promover o fluxo de pessoas, produtos e capitais.
A nova ordem internacional trouxe um novo cenário onde municípios, estados e organizações não governamentais começaram a se articular diretamente no cenário da geopolítica. Essa prática, conhecida como paradiplomacia, permite que entidades menores, como Juiz de Fora e outros municípios da Zona da Mata, se posicionem ativamente nas questões internacionais, visando à promoção de suas características e vocações.
O papel de Juiz de Fora na diplomacia internacional
No século XIX, Juiz de Fora se destacou por seu impacto no desenvolvimento econômico e social, alcançando avanços significativos com a ajuda de capital internacional e inovações na infraestrutura. Contudo, a desindustrialização afetou a Zona da Mata e é essencial que esses locais busquem se apresentar como polos de empreendedorismo no cenário global.
A inserção internacional de Juiz de Fora e da Zona da Mata é um processo que já ocorre há várias décadas, sendo alimentado por colaborações entre o poder público e a iniciativa privada. Desde os anos 80, diferentes administrações têm buscado estreitar laços externos, com apoio da Associação Comercial e outras entidades que promovem a participação em eventos internacionais nas áreas têxtil, metalmecânica e outros setores.
A Universidade Federal de Juiz de Fora também tem um papel fundamental. O Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia foi criado para conectar a pesquisa acadêmica com a prática de mercado, sinalizando um empenho em inovar e cooperar com instituições de outros países.
Entretanto, desafios permanecem. O projeto do aeroporto regional de Goianá-Rio Novo, por exemplo, ainda não teve seu potencial turístico e empresarial totalmente explorado. A efetiva inserção da região nas cadeias globais de valor depende de um esforço conjunto das comunidades locais para ativar esse e outros projetos de grande impacto.
Para que Juiz de Fora e a Zona da Mata possam realmente se inserir e se destacar no cenário internacional, será necessário um comprometimento além de acordos e intenções. A mobilização direta da população e das lideranças regionais será fundamental para transformar as oportunidades em realidades sólidas.
Com informações de Folha JF.

