Banco Central reduz Selic para 13,75% ao ano em nova queda
O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira (6) a redução da Taxa Selic, que agora está em 13,75% ao ano, marcando o quinto corte consecutivo. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e era esperada pelo mercado financeiro.
O cenário global, marcado por incertezas devido ao conflito no Oriente Médio e ao fenômeno climático El Niño, tem gerado cautela entre economias emergentes. Um comunicado do BC destacou que essas condições externas elevam a volatilidade dos preços de ativos e commodities, exigindo atenção redobrada das autoridades monetárias.
Desafios da inflação e do crescimento econômico
Após manter a Selic em 15% ao ano de junho de 2025 até março deste ano, o Copom começou a cortar os juros em abril, impulsionado pela queda da inflação. Contudo, a intensificação do conflito no Oriente Médio e a chegada do El Niño complicam ainda mais a condução da política monetária. Vale ressaltar que o Copom está operando com um quadro desfalcado, pois dois de seus diretores tiveram seus mandatos expirados no final de 2025 e ainda não foram substituídos.
A Selic é um dos principais instrumentos do BC para controlar a inflação, que, em agosto, apresentou uma variação negativa de 0,32%, o menor índice em quatro anos. Isso foi influenciado por fatores como o bônus de Itaipu nas contas de luz e a queda de 0,34% nos preços dos alimentos. No entanto, a expectativa é que o fenômeno El Niño possa elevar os preços dos alimentos nos próximos meses, complicando ainda mais o panorama inflacionário.
Com a implementação do novo sistema de meta contínua em janeiro de 2025, a meta de inflação foi fixada em 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O último Relatório de Política Monetária, divulgado em junho, já havia elevado a previsão de inflação para 2026, de 3,9% para 5,2%, embora essa estimativa possa ser revista devido à recente queda nos índices inflacionários.
A redução da Selic é vista como um estímulo à economia, pois juros mais baixos tornam o crédito mais acessível, incentivando a produção e o consumo. O BC aumentou sua previsão de crescimento econômico para 2% em 2026, embora o mercado projete um crescimento mais modesto, de 1,89%. A taxa básica de juros, que serve de referência para outras taxas na economia, é fundamental para a condução da política econômica, equilibrando o crescimento e o controle da inflação.
Com informações de Agência Brasil.