Vacinação Materna: Proteja seu Bebê desde a Gestação

A vacinação durante a gravidez deixou de ser uma prática exclusiva para a saúde da mãe e se tornou um elemento essencial na proteção dos bebês nos primeiros meses de vida. Com o avanço das pesquisas científicas, ficou comprovado que a administração de vacinas específicas no pré-natal permite que as mães gerem anticorpos que atravessam a placenta, proporcionando imunidade temporária aos recém-nascidos, cujos sistemas imunológicos ainda estão em formação.
Essa sorte de proteção é crucial, já que os bebês não são capazes de receber todas as vacinas do calendário vacinal imediatamente e podem demorar a produzir suas próprias defesas. Assim, os anticorpos recebidos da mãe atuam como uma defesa inicial contra doenças que podem ser graves, servindo como um escudo epidemiológico até que as vacinas apropriadas possam ser administradas. O aleitamento materno também é um fator importante, pois fornece anticorpos adicionais ao recém-nascido.
Quais Vacinas Devem Ser Tomadas?
Atualmente, as gestantes têm recomendações específicas de vacinas, que incluem a dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche; a vacina contra a gripe; imunização contra a Covid-19; e mais recentemente, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), um importante causador de bronquiolite. É indicativo também que mulheres que não estão vacinadas contra hepatite B procurem se imunizar. Essas vacinas estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que a vacina da gripe deve ser administrada ao bebê apenas após os 6 meses.
De acordo com a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck do Hospital Israelita Albert Einstein, a vacinação materna não só diminui as complicações para a mãe mas também resulta em uma redução de 63% dos casos de gripe em lactentes nos primeiros meses após o nascimento. Por outro lado, a dTpa é particularmente eficaz na proteção contra a coqueluche, que pode ser séria em crianças pequenas, considerando que, em 2024, o Brasil registrou quase 8 mil casos e 28 mortes de crianças menores de um ano devido à doença.
Embora os benefícios da vacinação sejam reconhecidos, a adesão entre gestantes ainda enfrenta desafios. As taxas de vacinação variam conforme a vacina; por exemplo, a aceitabilidade para a imunização contra o VSR é alta, enquanto a cobertura para a Covid-19 se mantém em cerca de 50%. Esse quadro é agravado por desinformações, preconceitos sobre potenciais efeitos colaterais e a influência negativa de informações falsas circulando nas redes sociais. A orientação emitida por profissionais de saúde, como obstetras, aumenta significativamente as chances das gestantes aceitarem se vacinar, sendo recomendado que o tema seja abordado já na primeira consulta para estabelecer um calendário vacinal apropriado.
Conforme afirmado pela Sociedade Brasileira de Imunizações, em casos onde se recomenda ativamente a vacina, a adesão pode chegar a 90%, um número expressivamente maior em comparação à pouca aceitação sem essa orientação. Importante ressaltar que as vacinas recomendadas durante a gestação têm um bom perfil de segurança e não estão ligadas ao aumento de problemas para a mãe ou filho.
Com informações de Tribuna de Minas.


