A Inclusão Digital da Terceira Idade e os Algoritmos

Um editorial publicado na Folha de São Paulo, em 28 de junho, evidencia que a inteligência artificial (IA) se tornou uma realidade no Brasil. Segundo uma pesquisa recente do Datafolha, 86% dos brasileiros conhecem ou já ouviram falar dessa tecnologia. Essa adesão à IA levanta questões importantes sobre a inclusão, especialmente quando o foco recai sobre a população idosa.
É possível que as opiniões das pessoas mais velhas não tenham sido consideradas na pesquisa. O ageísmo, ou etarismo, parece persistir mesmo em um ambiente digital. Simples aplicativos não garantem a acessibilidade necessária; é essencial promover a educação digital com uma linguagem mais acessível e garantir segurança em relação a fraudes online. Além disso, muitos idosos necessitam de atendimento humano presencial, serviço que vem sendo cada vez mais escasso.
A Exclusão Digital da Terceira Idade
A exclusão digital é evidente em exemplos do cotidiano. Com bancos fechando agências em prol de serviços digitais, e com a imersão da tecnologia em serviços públicos e consultas médicas, muitas pessoas idosas se tornam invisíveis ou, pior, são marginalizadas. Não é a tecnologia que representa o problema, mas sim a falta de consideração dos algoritmos para a experiência de envelhecer.
Os algoritmos devem ser moldados para reconhecer e respeitar os diferentes ritmos e ciclos da vida. A longevidade, uma das conquistas mais significativas da sociedade moderna, não deve ser vista como um fardo, mas celebrada. Quando os idosos são retratados apenas como consumidores de medicamentos ou dependentes da previdência, a visão é rasa e estigmatizada, deixando de considerar suas contribuições essenciais à sociedade.
É nessa perspectiva que se observa que a IA, sem a devida conscientização, perpetua o preconceito contra os mais velhos, agora revestido de uma nova linguagem tecnológica. O uso de tecnologia deve ter como objetivo a inclusão e o reconhecimento da importância da experiência de vida dos idosos, em vez de marginalizá-los e reforçar velhos estigmas.
Portanto, ao aspirarmos por cidades inteligentes, é vital que elas sejam planejadas com a inclusão das diversidades, levando em conta que as marcas do envelhecimento são parte fundamental da memória coletiva.
Com informações de Tribuna de Minas.
