Zona da Mata

Inteligência Artificial nas Eleições de 2026: Riscos e Impactos

A inteligência artificial (IA) promete ter um papel significativo nas campanhas eleitorais de 2026, atuando na criação de conteúdo, segmentação de públicos e análise de dados. Contudo, o uso dessas ferramentas também traz à tona riscos relacionados à desinformação, manipulação de informações e a potencialização de vieses políticos, exigindo uma atenção redobrada tanto das campanhas quanto das plataformas digitais e da Justiça Eleitoral.

A professora da UFJF, Kérley Winques, destaca que as mídias sociais e os algoritmos já influenciaram eleições anteriores, como as de 2018 e 2022. Segundo o professor Gustavo Henrique Medrado, da UEMG, os algoritmos da mídia social são baseados em IA e buscam oferecer conteúdo que atraia o usuário. No entanto, ele alerta que as chamadas IAs generativas, como Chat GPT e Gemini, podem agravar a disseminação de informações falsas, uma vez que elas não têm o objetivo de transmitir verdades, mas sim modelar respostas que sejam convenientes ao usuário.

A crescente influência da IA nas campanhas

Essas IAs generativas tendem a reforçar confirmações de crenças existentes nas eleitores, algo que pode ser perigoso em um contexto eleitoral. Os algoritmos conhecem o comportamento dos usuários e as empresas de tecnologia utilizam essas informações para direcionar campanhas políticas. Medrado aponta que candidatos podem se aproveitar de conteúdos mais impactantes, muitas vezes apelativos ou emocionais, para maximizar seu alcance na audiência.

Kérley Winques também salienta que a IA não apenas produz conteúdo em larga escala, mas torna as táticas de manipulação mais sofisticadas. “Não existe inteligência artificial neutra. Cada IA reflete escolhas humanas, desde a escolha dos dados com que é treinada até os objetivos das instituições que a desenvolveram,” afirma. Ela ainda adverte que essas ferramentas influenciam quais conteúdos têm visibilidade, atuando como mediadoras da opinião pública.

O publicitário Marcos Villas Boas aponta que, embora a IA aumente a eficiência das campanhas, não deve ser vista como o único fator que estabelece um vínculo entre candidato e eleitor. Aspectos como a credibilidade do candidato e as identidades ideológicas também têm papéis fundamentais em como a Ia será utilizada neste contexto de polarização política.

Luiz Ademir de Oliveira, professor da UFSJ, entende que movimentações políticas podem limitar os impactos associados ao uso de IA. A competição política deverá estimular diferentes estratégias em busca de poder, e campanhas podem estar mais preparadas para enfrentar a desinformação originada pela tecnologia.


Com informações de Tribuna de Minas.

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