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Ministério da Saúde avalia medidas jurídicas após vídeos com detergente Ypê nas redes

O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (11) que analisa possíveis medidas jurídicas contra pessoas que divulgaram vídeos consumindo detergente da marca Ypê nas redes sociais nos últimos dias. Segundo o ministro Alexandre Padilha, os conteúdos chegaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a repercussão da suspensão de lotes de produtos da fabricante por irregularidades identificadas no processo de produção. O caso passou a ser acompanhado pelas autoridades sanitárias por envolver risco à saúde e disseminação de desinformação sobre uma decisão técnica da agência reguladora.
As gravações começaram a circular logo após a Anvisa determinar, na última semana, a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes fabricados pela Química Amparo, responsável pela marca Ypê. A medida atingiu produtos de lotes com numeração final 1 e foi tomada depois de inspeções apontarem falhas em etapas consideradas críticas da produção.
De acordo com o Ministério da Saúde, os vídeos publicados nas plataformas digitais tentam transformar uma discussão sanitária em disputa política. Em algumas postagens, usuários aparecem ingerindo detergente como forma de contestar a decisão da agência.
Anvisa mantém alerta sobre risco sanitário em produtos Ypê
Apesar de a empresa ter conseguido efeito suspensivo temporário após apresentar recurso contra a decisão, a Anvisa afirmou que continua mantendo a avaliação técnica sobre os riscos sanitários identificados na linha de produção da fabricante.
Segundo a agência, inspeções realizadas em conjunto com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo encontraram falhas nos sistemas de controle de qualidade, produção e monitoramento industrial. Os problemas levantaram a possibilidade de contaminação microbiológica em parte dos produtos analisados.
Mesmo com a suspensão temporária das medidas administrativas, a recomendação da agência continua sendo para que consumidores evitem utilizar os itens citados na resolução até a conclusão definitiva das análises e do processo de recolhimento.
A orientação também prevê que clientes procurem os canais de atendimento da empresa para informações sobre troca, devolução e ressarcimento dos produtos envolvidos.
Vídeos ampliaram repercussão do caso nas redes
A repercussão ganhou força ao longo do fim de semana após políticos, influenciadores e apoiadores de grupos conservadores compartilharem vídeos comprando produtos da marca e questionando a atuação da Anvisa. Parte das publicações relacionou a decisão da agência a doações eleitorais feitas por integrantes ligados à empresa durante a campanha presidencial de 2022.
Durante entrevista nesta segunda-feira, Alexandre Padilha afirmou que o diretor da Anvisa responsável pela decisão foi indicado ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçando que a medida seguiu critérios técnicos e sanitários.
O ministro também criticou a circulação dos conteúdos e classificou como irresponsável a divulgação de vídeos incentivando o uso de produtos que seguem sob investigação sanitária. Segundo ele, as imagens estão sendo analisadas individualmente para definição das providências jurídicas que poderão ser adotadas pelas autoridades.

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