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Santa Casa JF terá 1° robô autônomo de cirurgia de joelho da América Latina

A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora passou a contar, a partir de abril de 2026, com o primeiro robô cirúrgico 100% autônomo em operação na América Latina para procedimentos de prótese de joelho. O equipamento passa a ser utilizado após fase de testes e treinamentos e marca a introdução de um novo modelo de cirurgia na instituição, com foco em maior precisão e redução de impactos no pós-operatório dos pacientes.
Antes da operação, o paciente realiza uma tomografia que gera um modelo tridimensional do joelho. Com base nessas imagens, o médico planeja o posicionamento do implante e os cortes necessários. Durante o procedimento, o robô executa essa etapa com o uso de um braço mecânico equipado com sensores que monitoram a movimentação em tempo real, enquanto o cirurgião acompanha e conduz as decisões clínicas.
A primeira cirurgia com o uso do sistema está prevista para o dia 17 de abril, marcando o início da aplicação prática da tecnologia na instituição.
Robô permite planejamento digital e execução automatizada
Segundo o ortopedista Samuel Lopes, especialista em joelho e integrante da equipe responsável pela técnica, a principal mudança está na forma como a cirurgia é planejada. De acordo com ele, o procedimento deixa de seguir guias pré-definidos e passa a considerar as características individuais de cada paciente a partir dos exames de imagem.
Ainda conforme o médico, essa abordagem permite maior precisão nos cortes e reduz a intervenção sobre estruturas ao redor do joelho. A execução automatizada segue o planejamento realizado previamente, sem necessidade de ajustes manuais durante essa etapa.
Sistema substitui etapas manuais e muda dinâmica da cirurgia
Na técnica convencional, os cortes ósseos são feitos manualmente com auxílio de guias mecânicos. Já em sistemas semiautônomos, o equipamento auxilia na orientação, mas a execução ainda depende diretamente do médico.
No modelo adotado pela Santa Casa, o robô realiza os cortes após a programação feita pelo cirurgião, utilizando uma fresa de alta velocidade no lugar da serra tradicional.
Em entrevista ao Folha JF, o ortopedista Igor Reis afirmou que a tecnologia começa a ser aplicada em cirurgias de joelho e que há expectativa de ampliação para outros tipos de prótese no futuro. Segundo ele, a precisão na execução dos cortes é um dos fatores que podem influenciar na durabilidade dos implantes.
O médico também informou que o sistema já está disponível para pacientes da rede particular e que, neste início de implementação, alguns pacientes da fila do SUS devem ser atendidos durante o processo de adaptação da tecnologia.
A utilização do robô passa agora a integrar a rotina da equipe, que deve acompanhar os primeiros procedimentos para avaliar o desempenho do sistema na prática cirúrgica.

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