Minas Gerais registra queda nos investimentos em segurança pública

A participação do setor de segurança pública no orçamento de Minas Gerais sofreu uma drástica diminuição entre 2021 e 2025, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). Os gastos com segurança decresceram de 12,7% para 9,7% do total do orçamento estadual, o que representa a maior queda proporcional no Brasil.
Esse declínio é visto como um reflexo das decisões de curto prazo, em vez de uma política de Estado sólida. Após Minas, os estados que também registraram redução na participação do orçamento destinada à segurança foram Sergipe e Mato Grosso.
Desafios orçamentários e impacto na segurança
O estudo também destacou que somente parte do orçamento destinado à segurança pública realmente vai para ações como policiamento e investigações. Parte dos recursos destinados a essa área acaba sendo direcionada para despesas com benefícios previdenciários, de acordo com Paulo Fraga, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ele alerta que os baixos investimentos dificultam a expansão de concursos, pressionando os profissionais que já atuam na área.
A falta de recursos impacta diretamente outras áreas cruciais de prevenção ao crime. Isso pode levar a um aumento na dependência de verba federal, enfatizando a necessidade de revisão da estratégia de segurança pública do estado.
Os dados de 2025 traçam um quadro misto para a segurança em Minas Gerais. Enquanto alguns índices, como os crimes contra o patrimônio e mortes violentas, mostraram queda, outras categorias, como estelionato e injúria racial, apresentaram crescimento significativo.
Entre 2024 e 2025, por exemplo, os roubos de veículos caíram 32,1% e as mortes violentas intencionais diminuíram 14,2%. Contudo, o número total de ocorrências de estelionato subiu para 172.676, uma alta de 3,6% em relação ao ano anterior, sendo que os golpes eletrônicos cresceram alarmantes 10,5%.
Outro dado preocupante é o aumento de 30,5% no número de pessoas desaparecidas, considerado o maior crescimento do país. O Anuário destaca a necessidade de uma investigação mais ampla para entender as causas desse fenômeno, refletindo complexidades que vão além das disputas territoriais observadas em outros estados.
Com informações de Tribuna de Minas.

