Tribuna de Minas

Uma cidade que envelhece pede outra política

Nossa cidade envelhece. São 176 anos de vida. E todos nós que aqui vivemos também envelhecemos. Envelheceremos. Estamos chegando próximos desse marco. Os centenários já estão entre nós. O desafio a vencer é que a política não acompanha a passagem do tempo – insiste em ser a mesma – em relação à atenção às pessoas idosas: planeja só para quem corre; investe em quem produz rápido.
Esquece de quem vive devagar, de quem já deu tempo à cidade. Uma cidade, como a nossa, que envelhece rapidamente exige pausa; cuidado; presença. Não se trata de assistencialismo. Trata-se de justiça social, porque a pessoa idosa não é um peso; é memória viva; é história que desce e sobe o “Calçadão”; é experiência que não cabe em planilhas.
A política, muitas vezes, não enxerga isso. Não reconhece. E finge não ver. Prefere colocar faixa de inauguração de uma obra visível(viaduto) ao cuidado invisível. Opta pelo curto prazo. Só que o tempo – esse gigante que ninguém governa – cobra. Cobra na saúde despreparada; no transporte inadequado; na calçada irregular; na solidão que cresce dentro dos lares. Cobra no corpo, também; na cidade; porque uma cidade, como a nossa, que envelhece pede outra lógica; outra política; outro olhar; outro ritmo.
Pede mais bancos nas ruas; escuta nos gabinetes; acessibilidades; respeito; políticas públicas; sensibilidade pública. Não basta incluir a pessoa idosa no discurso. É preciso incluí-la no cotidiano da cidade: onde as pessoas idosas estão nas decisões políticas?; onde elas estão no planejamento urbano?; no orçamento municipal?. É como se elas não existissem.
Mas existem, sim. E são muitas. E são numerosas. E podem fazer uma nova cidade. É preciso urgentemente alterar esse quadro estrutural do etarismo: colocar o envelhecimento na agenda central da cidade. Não, como problema futuro. Mas, como realidade presente. Porque a cidade já envelheceu. E continuará envelhecendo. O que desejamos é envelhecer com dignidade e isso é uma decisão coletiva. Política.
Uma outra política. Nossa cidade não pode virar as costas para quem a construiu. Talvez um outro desafio não seja, em si, o envelhecimento da população. E, sim, o envelhecimento dos próprios operadores da política: que são rígidos, lentos para mudar e resistentes ao novo. Os novos velhos somos nós!
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