Motos elétricas em Juiz de Fora: desafios e regulamentações
A presença de motos elétricas nas ruas de Juiz de Fora tem se tornado cada vez mais comum, acompanhada por bicicletas elétricas e outros veículos de pequeno porte movidos a bateria. Apesar de parecerem semelhantes, esses meios de transporte possuem diferenças técnicas e regras distintas para circulação, o que levanta questões sobre a convivência segura entre eles.
A falta de dados oficiais consolidados dificulta a avaliação precisa do crescimento da frota de motos elétricas na cidade. A Tribuna buscou informações junto ao Detran-MG, ao Sincodiv-MG, à Fenabrave e à Senatran, mas não obteve números específicos sobre a quantidade de motos elétricas circulando em Juiz de Fora. Contudo, a crescente presença desses veículos, a abertura de lojas especializadas e a variedade de modelos disponíveis indicam uma mudança nas práticas de mobilidade.
Regulamentação e categorias de veículos
De acordo com o professor José Luiz Lopes Teixeira Filho, do Departamento de Transportes e Geotecnia da UFJF, essa mudança representa uma diversificação nos deslocamentos de curta distância. Embora possa diminuir a dependência de automóveis, também surge a necessidade de uma infraestrutura mais adequada, que atualmente apresenta limitações. A Resolução 996/2023 do Contran classifica os veículos com base em critérios como potência e velocidade, estabelecendo diferenças importantes entre bicicletas elétricas, ciclomotores e motocicletas elétricas.
Os ciclomotores elétricos, por exemplo, podem atingir velocidades de até 50 km/h e têm exigências de registro e habilitação, enquanto as bicicletas elétricas não requerem habilitação, desde que respeitem os limites de potência e velocidade. Essa diferenciação é crucial para garantir a segurança nas vias, já que veículos com características distintas podem gerar riscos de colisão quando compartilham o mesmo espaço.
A segurança no trânsito é uma preocupação crescente, especialmente com o aumento de conflitos entre diferentes usuários das vias. O professor Teixeira Filho alerta que a coexistência de veículos com velocidades muito diferentes pode resultar em acidentes. A natureza silenciosa das motos elétricas também pode ser um fator de risco, pois elas são menos perceptíveis para pedestres.
A infraestrutura de Juiz de Fora apresenta desafios adicionais, uma vez que a cidade possui trechos para bicicletas, mas carece de uma rede cicloviária integrada e ampla. O relevo acidentado e a diversidade das vias tornam ainda mais urgente a necessidade de um planejamento eficaz para acomodar esses novos modais de transporte. A Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana, reconhece o crescimento dos veículos elétricos e afirma que está atenta às normas e procedimentos de fiscalização necessários para garantir a segurança no trânsito.
Com informações de Tribuna de Minas.