Estudo revela riscos de plásticos e espumas ao saúde
Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros alerta para os perigos associados a resíduos de plásticos e espumas, que podem conter substâncias nocivas ligadas a problemas hormonais, reprodutivos e até câncer. A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICTS-Unesp) em parceria com a Universidade de Birmingham, investigou materiais descartados em São Paulo.
Os pesquisadores identificaram compostos químicos, como plastificantes e retardantes de chama, que foram utilizados na fabricação de produtos como espumas de poliuretano, peças plásticas e artigos infantis. Os resíduos analisados foram coletados em locais de descarte e reciclagem, revelando que a falta de triagem química adequada pode levar à contaminação de novos materiais.
Contaminantes em alta concentração
Durante a pesquisa, foram examinadas 207 amostras de quatro categorias: resíduos de construção, veículos inativos, estofados e artigos infantis. A análise revelou que 95% das amostras continham pelo menos um dos compostos perigosos, com 13 delas apresentando níveis preocupantes de contaminação.
O engenheiro ambiental David Burgos, da Unesp, destacou que a pesquisa é fundamental para entender melhor os contaminantes presentes nos resíduos no Brasil. Ele enfatizou que a falta de informações sobre essas substâncias prejudica a implementação de políticas de economia circular e a proteção dos trabalhadores da reciclagem.
Embora a fabricação de novos produtos com certas substâncias já esteja proibida por acordos internacionais, como a Convenção de Estocolmo, os materiais já fabricados continuam a representar um risco. Sem a triagem química necessária, esses resíduos podem transferir contaminantes para novos produtos reciclados, comprometendo a saúde pública.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que os retardantes bromados estão banidos na fabricação de novos eletrônicos, mas o maior risco permanece em equipamentos antigos, como televisores fabricados antes de 2005. A triagem de materiais eletrônicos é uma responsabilidade compartilhada entre diversos órgãos ambientais, mas ainda não existem protocolos específicos para identificar todos os contaminantes presentes.
Com informações de Tribuna de Minas.