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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Mulheres são maioria entre eleitores, mas ainda sub-representadas

Por Redação Segue Dicas 2 min de leitura
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Imagem ilustrativa · Banco Segue Dicas

As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, totalizando 83.877.126 eleitoras, mas continuam com uma baixa participação nas candidaturas e entre as eleitas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, nas eleições de 2026, apenas 34,85% das 20.560 candidaturas são de mulheres, com 7.165 inscrições. Este número é inferior ao de 2022, quando 10.620 mulheres se candidataram à Câmara dos Deputados.

Apesar da queda no total de candidaturas, a proporção de mulheres entre os concorrentes aumentou, passando de 35% em 2022 para 36,7% em 2026. Porém, essa evolução ainda se reflete em uma baixa representação no legislativo, onde apenas 91 das 513 cadeiras na Câmara foram conquistadas por mulheres nas eleições passadas, correspondendo a 17,7% do total.

Desafios para a representação feminina

A cientista política e professora da UFJF, Christiane Jalles, aponta que a diminuição no número de candidaturas é um reflexo das mudanças na legislação eleitoral que buscam reduzir a fragmentação partidária. Embora o percentual de candidatas tenha aumentado, isso não garante uma maior presença feminina nos cargos eletivos. Jalles sugere que a fiscalização das cotas de gênero e o acesso a recursos financeiros são fundamentais para que mais mulheres consigam se eleger.

A violência de gênero é um obstáculo significativo para as candidatas, conforme destaca Christiane. Ela menciona que práticas de violência psicológica e simbólica são comuns no ambiente político, dificultando a participação feminina. “Essas violências são parte do cotidiano de muitas mulheres na política e estão ligadas a um contexto de machismo e exclusão”, afirma.

A baixa representação feminina também é analisada pela doutora em Comunicação pela UFJF, Najla Passos, que relaciona o problema às estruturas patriarcais históricas. Segundo Najla, o patriarcado moderno, intensificado pela colonização, restringiu ainda mais a presença das mulheres em espaços públicos. Ela ressalta que, apesar dos avanços, as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas para ocupar cargos de poder.

O direito ao voto das mulheres no Brasil foi conquistado em 1932, mas a luta pela representação política continua. Najla enfatiza que, apesar de algumas mudanças, as estruturas históricas ainda favorecem a presença masculina na política. “As mulheres têm lutado por espaço e, embora a situação esteja mudando, é necessário continuar essa luta para garantir a equidade no acesso aos espaços de poder”, conclui.


Com informações de Tribuna de Minas.

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