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Domingo, 11 de outubro de 2026

O papel da ideologia no comércio internacional brasileiro

Por Redação Segue Dicas 2 min de leitura
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Economia
Imagem ilustrativa · Banco Segue Dicas

A canção de Cazuza, que clamava por uma ideologia para viver, reflete os desencantos de uma geração que vivenciou o fim da Guerra Fria. Quase quatro décadas depois, o cenário eleitoral brasileiro nas eleições presidenciais de 2026 parece flertar com a ideia oposta: a crença de que a inserção do Brasil no comércio internacional deve ser guiada por paixões ideológicas e alinhamentos momentâneos.

Esse fenômeno se revela claramente no plano de governo do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que apresenta um capítulo sobre relações exteriores. A introdução deste capítulo sugere que “um país que produz precisa vender ao mundo e atrair investimentos, sem se tornar refém de ninguém”. Contudo, essa afirmação esconde uma crítica à presença comercial da China no Brasil e às articulações do país no Sul Global.

Desafios das Relações Exteriores do Brasil

O programa de Bolsonaro propõe a reavaliação das relações multilaterais do Brasil, priorizando acordos bilaterais com potências ocidentais em detrimento das regras do Mercosul. O candidato também levantou a possibilidade de rever a participação do Brasil nos BRICS, considerando o grupo excessivamente ideológico e adverso aos interesses dos Estados Unidos.

Contudo, essa crítica ao ideologismo nas instâncias multilaterais contrasta com a proposta de substituí-las por uma nova abordagem ideológica. A literatura em Relações Internacionais e Economia Política indica que potências médias, como o Brasil, não devem se submeter a vassalagens ideológicas. Em um mundo multipolar, a interdependência e a diplomacia diversificada são fundamentais para proteger a soberania nacional.

A incoerência na postura de Bolsonaro se torna evidente quando ele critica a influência da China, ao mesmo tempo em que defende uma submissão aos interesses geopolíticos dos EUA. Essa abordagem pode comprometer as relações do Brasil com a União Europeia, países latino-americanos e asiáticos, além de ameaçar a histórica colaboração no Mercosul e o papel do Brasil nos BRICS.

O Brasil é reconhecido internacionalmente por sua diplomacia pacífica e por promover relações harmoniosas com diversas nações. Manter e aprofundar essas relações comerciais e diplomáticas, independentemente das ideologias dos governos, é crucial para a soberania brasileira. A Constituição estabelece princípios permanentes que guiam a política externa do país, reforçando a autodeterminação dos povos e a cooperação pacífica na América Latina.


Com informações de Folha JF.

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