Famílias se despedem de lares prestes a serem demolidos
Oito meses após um desastre socioambiental que afetou a Zona Norte de Juiz de Fora, moradores de 19 imóveis se preparam para a demolição de suas casas, marcada para esta terça-feira (20). A decisão foi comunicada pela Prefeitura no último sábado (10), deixando os residentes com o prazo até segunda-feira para desocuparem os locais.
Entre os afetados está Wellington Barbosa, de 42 anos, que ajudou sua mãe a retirar os últimos pertences da casa onde viveu por mais de 30 anos, na Rua Ricardo Ribeiro de Novais. O imóvel, interditado desde fevereiro devido a riscos estruturais, é um dos cinco que serão demolidos no bairro, que passou por um intenso processo de avaliação da Defesa Civil.
Despedidas e novos começos
A casa, que foi ampliada ao longo dos anos, representa o trabalho e a dedicação da família, especialmente do pai de Wellington, que era motorista. A mãe dele está entre as 1.612 famílias habilitadas para o programa Compra Assistida, que oferece apoio financeiro para a aquisição de novas moradias. Enquanto isso, os moradores tentam lidar com a dor da perda e a expectativa de recomeçar em um novo lar.
No Jardim Natal, vizinho ao Jóquei Clube, 14 imóveis também serão demolidos. Cláudio Natalino Fernandes, de 58 anos, ex-morador da Rua Tenente Lucas Drumont, ainda não sabe se sua antiga casa será destruída. Ele relatou que, desde o desastre, tem enfrentado dificuldades, morando temporariamente na casa de amigos, enquanto espera por informações sobre o auxílio reconstrução, que promete R$ 7.300 às famílias afetadas.
Dados da Prefeitura indicam que, apesar de 33.504 pessoas terem se cadastrado para receber o benefício, apenas 9.022 conseguiram acesso até agora. A Prefeitura esclarece que os moradores das casas destinadas à demolição são notificados previamente e acompanhados por diversos órgãos, mas a falta de resposta sobre o auxílio ainda gera angústia.
Aldineia Aparecida de Paula, de 56 anos, é outra residente que enfrenta incertezas. Sua casa, na Rua José Nunes Pereira, foi evacuada em fevereiro após danos estruturais. Com suas memórias familiares em risco, ela se vê novamente sem um lar, situação que já havia enfrentado em 2001. Após a interdição, levou os poucos móveis que conseguiu salvar para seu brechó, que também foi severamente afetado pelas chuvas.
A realidade dos moradores da Zona Norte reflete a luta por dignidade e segurança em meio a perdas e incertezas, enquanto se preparam para a transformação de suas histórias em novos começos.
Com informações de Tribuna de Minas.