Atualização inclui espécies da Zona da Mata em lista de risco
A Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, passou por uma atualização na última quarta-feira (28). Entre as novidades, estão pelo menos nove espécies que ocorrem na Zona da Mata mineira, incluindo árvores como jequitibá-rosa, cedro e braúna, além do palmito-juçara, fundamental para a alimentação da fauna local.
Segundo o biólogo Breno Motta, essa atualização, estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.783, ressalta a importância da conservação dos remanescentes da Mata Atlântica na região. O novo documento, que substitui a lista anterior de 2022, agora reúne 3.730 espécies, um aumento de 521 em relação à versão anterior. Motta explica que essa ampliação não indica necessariamente que todas as espécies estão em maior risco, mas pode envolver mudanças na nomenclatura e classificação.
Espécies vulneráveis e em perigo de extinção
Das nove espécies listadas, cinco estão classificadas como vulneráveis e três como em perigo de extinção. O status vulnerável (VU) indica alto risco de extinção na natureza, enquanto a categoria em perigo (EN) representa um risco muito alto. Entre as espécies ameaçadas estão o palmito-juçara (Euterpe edulis), embira-branca (Trigynaea oblongifolia), breu (Trattinnickia ferruginea), garapa (Apuleia leiocarpa), jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), braúna (Melanoxylon brauna), jequitibá-rosa (Cariniana legalis), cedro (Cedrela fissilis) e pau-brasil (Paubrasilia echinata).
De acordo com Motta, que é diretor do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a sobrevivência dessas plantas está intimamente ligada à conservação dos ambientes naturais onde ocorrem. Na Zona da Mata, as espécies estão associadas principalmente a remanescentes da Floresta Estacional Semidecidual, que originalmente cobria vastas áreas da região. A degradação e perda desses ambientes devido ao desmatamento, expansão urbana e atividades agropecuárias são algumas das principais ameaças enfrentadas.
Além disso, a exploração predatória de madeira e a extração ilegal de palmito-juçara também contribuem para o risco de extinção dessas espécies. Motta enfatiza que incêndios florestais, a invasão de espécies exóticas e a falta de fiscalização agravam ainda mais a situação, especialmente em áreas urbanas.
O desaparecimento dessas plantas pode causar desequilíbrios em toda a cadeia ecológica. As plantas ameaçadas desempenham papéis cruciais na manutenção dos ecossistemas, fornecendo alimento e abrigo para diversas espécies. A redução do palmito-juçara, por exemplo, pode impactar a alimentação de aves e mamíferos, comprometendo a dispersão de sementes e a saúde de toda a flora.
Para enfrentar esses desafios, Motta sugere várias medidas, incluindo o combate ao desmatamento, a recuperação de áreas degradadas e a conservação de sementes. A colaboração entre o Poder Público, universidades, proprietários rurais e a sociedade é fundamental para garantir a preservação desses ambientes e a continuidade das espécies ameaçadas.
Com informações de Tribuna de Minas.