Manifesto propõe taxação de ricos em vez de cortes sociais
Um grupo de economistas e especialistas lançou um manifesto na última sexta-feira (30), criticando a pressão do mercado financeiro para que o novo governo implemente um programa de cortes em gastos sociais visando a estabilização da dívida pública. O documento sugere a adoção de um novo regime fiscal, menos rígido que o atual, e propõe mudanças na meta de inflação, além de uma tributação maior sobre os mais ricos.
Assinado por 50 profissionais, o manifesto destaca que a Avenida Faria Lima, conhecida como o coração do mercado financeiro em São Paulo, está tentando influenciar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seguir uma agenda de cortes de despesas similar à defendida por Flávio Bolsonaro, que foi derrotado nas eleições. “A maioria do eleitorado escolheu Lula e rejeitou a proposta de corte de R$ 190 bilhões em gastos públicos”, afirmam os economistas.
Críticas à política de juros e ao ajuste fiscal
Os especialistas argumentam que a questão da dívida pública está mais relacionada aos altos juros fixados pelo Banco Central do que aos gastos governamentais. Em agosto deste ano, a dívida bruta do Brasil alcançou 82,9% do PIB, um aumento em relação aos 71,7% do ano anterior. Os juros, segundo o manifesto, estão consumindo mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento, representando 8,9% do PIB.
O documento sugere que, ao invés de cortes, o governo deve antecipar a tributação mínima de 10% sobre pessoas com rendas superiores a R$ 600 mil anuais, conforme a Lei 15.270 de 2025. Se aprovado até 31 de dezembro, essa nova tributação poderá ser aplicada já em janeiro, abrangendo dividendos e outras rendas.
Além disso, o manifesto pede que o Banco Central mantenha a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, sem novos aumentos, e que sejam implementadas medidas para que a redução dos juros beneficie as famílias e pequenas empresas. Também é proposto que a meta de inflação seja revisada, buscando um novo centro em 4,5% ao ano.
Os economistas criticam ainda as recentes declarações de membros do governo que defendem ajustes fiscais, alertando que a repetição de políticas de austeridade pode comprometer o apoio popular ao governo e abrir caminho para uma nova crise política.
Com informações de Agência Brasil.