94 anos da Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo

No dia 9 de julho, feriado estadual em São Paulo, comemora-se o 94º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, um dos marcos na trajetória política do Brasil. Esse movimento surgiu como uma resposta do povo paulista ao governo provisório de Getúlio Vargas, que assumiu o poder em 1930 após depor o então presidente Washington Luís.
A falta de uma nova Constituição que organizasse o sistema político do país era vista como uma grave ameaça à autonomia dos estados, especialmente em um Brasil marcado pelo centralismo. O movimento paulistano clamava pela convocação de uma Assembleia Constituinte que desse origem a uma nova Carta Magna, substituindo o governo provisório.
A violência que gerou resistência
As tensões aumentaram significativamente desde o dia 23 de maio de 1932, quando estudantes e manifestantes sofreram violência policial, resultando na morte de quatro deles: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais de seus nomes formaram a sigla MMDC, um símbolo da resistência movida pela luta pela Constituição.
Assim, no dia 9 de julho, iniciou-se a revolução, que duraria 87 dias, com tropas estaduais e voluntários enfrentando o Exército federal nas fronteiras de Minas Gerais e Paraná. O conflito resultou em muitas perdas, mas em 2 de outubro de 1932, o governo federal saiu vitorioso no cenário militar. Apesar da derrota, a importância política da revolução se consolidou, pois levou à convocação de eleições para a Assembleia Constituinte.
Em 1934, o Brasil ganhou uma nova Constituição, e a Revolução Constitucionalista ficou marcada como uma vitória moral e institucional para São Paulo. Ela demonstrou a relevância da legalidade e da Constituição como pilares do estado.
O tempo transformou um episódio de confronto em um momento de reconciliação. Em 1938, o Túnel 9 de Julho foi inaugurado com a presença de Getúlio Vargas, que antes era visto como o oposto. Ao longo dos anos, avenidas e monumentos perpetuaram a memória e a lição do movimento, que é mais relevante do que nunca.
A defesa da Constituição se mostra vital, pois não se trata apenas de normas jurídicas, mas do pacto social que organiza o estadismo, limita o poder e protege os direitos. Desrespeitar essa estrutura compromete a própria Nação e sua estabilidade, enfatizando a importância da continuidade do debate e da melhoria legal. A Revolução de 1932 continua a servir de marco e inspiração contra arbitrariedades, reafirmando que o respeito pela Constituição é sinônimo de respeito pela sociedade.
Com informações de Tribuna de Minas.


