Juiz de Fora enfrenta riscos com El Niño e falta de planejamento

Juiz de Fora, cidade mineira que já sofreu uma tragédia climática em fevereiro de 2026, vive uma realidade alarmante com a aproximação do fenômeno El Niño. Após registrar o maior volume de chuva em 65 anos, com 752,4 mm durante o mês, a cidade enfrenta desafios significativos em planejamento e governança das questões climáticas. A situação se complicou com a negligência nas políticas públicas de prevenção ao longo das últimas décadas, apesar de diversos alertas de especialistas.
O desastre ocorrido no início de 2026 deixou 66 mortos e 8.854 pessoas desabrigadas, além de causar destruição em bairros inteiros. Esta tragédia trouxe à tona a vulnerabilidade e os riscos climáticos que a cidade enfrenta, revelando falhas capilares na estrutura de governança climática local. Durante esse período crítico, ficou evidente que a população precisava de ações preventivas, e não apenas de socorro após desastres.
A necessidade de um Comitê Municipal de Mudanças Climáticas
A criação de um Comitê Municipal de Mudanças Climáticas foi estabelecida pela Lei Municipal nº 14.556 em 2023, que decretou estado de emergência climática. No entanto, até hoje, esse comitê permanece ausente, mesmo com contínuas cobranças de cientistas e ambientalistas. O plano que deveria ser implementado, acompanhado de ações de mitigação e adaptação das vulnerabilidades climáticas, nunca virou realidade. Em vez de um planejamento integrado, a cidade se vê refém de soluções emergenciais em resposta a desastres.
Dados também mostram que, entre 2000 e 2026, a Câmara Municipal apresentou mais de 8.400 proposições relacionadas a questões climáticas, o que reflete uma atuação reativa e não proativa. Um comitê apropriado poderia transformar essa dinâmica, facilitando decisões coordenadas e integradas sobre prevenção e gestão de desastres.
Infelizmente, o cenário em Minas Gerais é paradoxal: embora possua um Plano de Ação Climática completo, o orçamento destinado à prevenção de impactos climáticos foi drasticamente reduzido. Em 2025, por exemplo, o governo alocou apenas R$ 5,8 milhões para esse fim, um corte de 96% em relação ao ano anterior. Isso expõe a falta de prioridade na proteção e a maior ênfase em reparações após desastres.
Com a iminência de El Niño, que pode trazer tanto períodos de estiagem quanto chuvas intensas, a cidade de Juiz de Fora se encontra mais vulnerável. Com um solo já saturado e relevo acidentado, os riscos são ainda mais evidentes diante da falta de medidas eficazes de proteção e governo proativo.
Com informações de Folha JF.

