Eleições 2026: Minas Gerais intensifica combate ao crime organizado
As autoridades eleitorais e de segurança em Minas Gerais estão intensificando as ações de inteligência para prevenir a infiltração de facções criminosas nas eleições de 2026. O Ministério Público Eleitoral (MPE) criou um grupo de trabalho focado na identificação e combate à influência de organizações criminosas durante o processo eleitoral, além de estabelecer uma colaboração com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal e Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos).
A mobilização surge em resposta a um episódio do pleito municipal de 2024, quando 18 candidatos mineiros foram monitorados por suspeitas de vínculos com o crime organizado. Minas Gerais, que abriga 13 facções criminosas no sistema prisional, é um dos estados mais afetados por essa problemática, conforme apontado no Atlas da Violência 2025.
Impactos da interferência do crime na política
O professor Vicente Neto, da Universidade Federal de Juiz de Fora, destaca que as organizações criminosas buscam se infiltrar na política para facilitar suas operações e garantir acesso a recursos públicos. Essas práticas ilícitas, como fraudes em licitações e desvio de verbas, comprometem a eficiência do Estado e afetam a qualidade de vida da população.
Com o prazo de registro de candidaturas encerrado, Minas Gerais se prepara para as eleições com 1.832 candidatos. A Procuradoria Regional Eleitoral não confirmou nem negou investigações sobre a possível ligação de candidatos com facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Se evidências surgirem, o MPE poderá solicitar a cassação de registros ou diplomas de candidatos envolvidos.
A identificação de vínculos entre candidatos e facções é um desafio, especialmente considerando que 50 candidatos estão sob monitoramento por suspeitas de crimes variados. O calendário eleitoral limita o tempo disponível para apurações, e o procurador regional eleitoral Tarcísio Parreiras alerta que a coleta de provas deve ser cuidadosa para evitar a destruição de evidências.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou em 2025 que integrantes de organizações paramilitares ou similares podem ser barrados de disputar eleições. O MPE estabeleceu o Grupo de Trabalho de Combate ao Crime Organizado no início de 2026, visando preparar as instituições para investigar e fiscalizar candidatos e evitar o financiamento de campanhas por grupos criminosos.
Com informações de Tribuna de Minas.