Fuga de Flávio Bolsonaro envolveu ex-agente de Israel e van
A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após sua derrota nas eleições presidenciais, foi marcada por uma elaborada operação logística que teve início na Argentina. De acordo com uma investigação do programa Fantástico, da TV Globo, a operação incluiu três entradas no país em um intervalo de apenas 40 minutos, utilizando documentos distintos e o apoio de uma van escoltada.
A investigação revelou que Flávio deixou o Brasil após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O ponto de partida de sua viagem foi o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, que possui uma pista adequada para jatos executivos, localizada próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná.
Agência de turismo suspeita e ex-oficial de inteligência
O senador partiu de Brasília em um jato privado às 5h05 de terça-feira (27) e, em seguida, seguiu para Puerto Iguazú em outro voo. Sua esposa, Fernanda, e suas filhas viajaram em uma aeronave diferente, com destino a Cascavel, no Paraná. Mais tarde, elas embarcaram em uma van da Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., que, segundo a reportagem, parece ser uma agência fantasma, já que o endereço registrado corresponde a um estacionamento.
Documentos obtidos pela investigação mostram que duas vans cruzaram a fronteira para a Argentina naquela noite. Flávio teve três entradas registradas no sistema migratório argentino, mas apenas a entrada com passaporte italiano foi validada, enquanto os registros com documentos brasileiros foram cancelados. A segunda van transportava o advogado Roberto Jorge Alexandre e Menachem Booky Halevy, um israelense identificado como ex-oficial de inteligência de Israel.
A investigação levantou questões sobre a legalidade da operação, levando a Justiça argentina a solicitar a preservação de imagens de segurança do aeroporto e da fronteira. A deputada argentina Marcela Pagano manifestou preocupação com possíveis falhas no controle de imigração e o uso indevido de escolta policial.
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos em um jato de luxo, com custos estimados em US$ 150 mil, pagos por um intermediário norte-americano. Ele e sua família entraram no país com uma autorização temporária, conhecida como parole, que pode levar à residência permanente. O presidente Donald Trump afirmou que não interferiu nas eleições brasileiras, mas confirmou que Flávio recebeu um “passe” para entrar nos EUA.
Com informações de Tribuna de Minas.