Suspensão da eleição do Tupi destaca falta de transparência
A eleição para o novo Conselho Deliberativo do Tupi Foot Ball Club foi suspensa pela Justiça na manhã deste sábado (3), em Juiz de Fora. A decisão liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) foi motivada por um recurso apresentado por associados do grupo de oposição Explosão dos Carijós, que alegaram não ter acesso à lista completa e atualizada dos sócios que poderiam votar e ser votados.
A votação já estava em andamento na sede do clube quando um oficial de Justiça comunicou a decisão. O pleito, que deveria ocorrer das 9h às 17h, agora está paralisado, embora a decisão ainda seja provisória e não anule a eleição de forma definitiva. O desembargador Newton Teixeira Carvalho, da 10ª Câmara Cível do TJMG, concedeu efeito suspensivo ao recurso, interrompendo o processo eleitoral e seus efeitos até nova deliberação judicial.
Justiça aponta falhas no processo eleitoral
A disputa judicial teve início quando a oposição tentou formar uma chapa para concorrer ao conselho. Conforme o Estatuto do Tupi, a chapa precisa reunir 80 associados, sendo 60 efetivos e 20 suplentes. O TJMG afirmou que o acesso ao cadastro dos sócios era essencial para a formação da chapa. O desembargador ressaltou que a falta de registro formal da chapa de oposição não deveria ser considerada como desinteresse, mas consequência da falta de acesso às informações necessárias.
Um dos principais elementos que embasaram a decisão foi uma ata notarial que documentou uma diligência na sede do Tupi, onde foi informado que o clube não tinha um cadastro atualizado de sócios, alegando problemas técnicos. O desembargador entendeu que isso poderia indicar violação aos princípios de transparência e igualdade previstos no Estatuto do clube.
Além disso, a decisão da Justiça também considerou que a realização da eleição com apenas uma chapa, ligada à atual gestão do clube, poderia resultar em um dano irreparável. Apenas uma chapa, associada ao presidente Eloísio Pereira, o Tiquinho, estava registrada antes da suspensão.
A Justiça determinou que todas as urnas e documentos eleitorais sejam preservados, e qualquer tentativa de alteração ou ocultação de dados poderá resultar em multa de R$ 20 mil. O grupo Explosão dos Carijós comemorou a decisão, afirmando que busca garantir acesso igualitário às informações para participar do processo eleitoral, destacando que a suspensão é uma conquista dos associados mobilizados.
Com informações de Folha JF.