Nely Gonçalves: uma vida dedicada ao samba e à música
Nely Gonçalves, uma das pioneiras do samba na Zona da Mata, foi homenageada no 9º Encontro das Mulheres na Roda de Samba, realizado recentemente. A artista, que continua a compor e celebrar a música, possui uma trajetória marcada por desafios e conquistas. Desde jovem, em São João Nepomuceno, seu amor pela música a levou a cantar em igrejas, apesar das limitações enfrentadas como mulher negra na sociedade da época.
Com o desejo de ver sua arte reconhecida, Nely começou a ensinar sua irmã a cantar músicas que ela mesma adorava, para que pudesse participar de concursos de rádio. Sua paixão pelo samba, inspirada por ícones como Beth Carvalho, fez com que ela se tornasse uma referência na música local, criando inúmeras marchinhas para escolas de samba da cidade.
Reconhecimento e legado no samba
Aos 86 anos, Nely recebeu o reconhecimento de sua trajetória ao lado de figuras como Zezé Motta e Jovelina Pérola Negra. Para ela, a música sempre foi uma busca pessoal e solitária: “Negócio de música, comigo, tem que ser sozinha. Eu não peço a ninguém, só olho”, relembra. Em sua juventude, sua presença em festivais de música já era notada, e os concorrentes reconheciam seu talento.
Além de ser a primeira puxadora de samba da cidade, Nely sempre teve uma forte conexão com o carnaval, um dos períodos mais vibrantes do ano. Sua sobrinha recorda com carinho os momentos em que Nely participava ativamente de blocos e escolas de samba, sempre criando músicas que divertiam a todos. “Era bom demais. Todo ano a gente estava ocupada com o carnaval”, conta.
Embora tenha se afastado das apresentações devido a uma trombose, Nely continua a compor, demonstrando que sua paixão pela música permanece viva. Recentemente, ela criou uma marchinha inspirada no programa ‘Mais Você’. Com uma vasta experiência, Nely também foi locutora de rádio e formou grupos musicais ao longo da vida, sempre mantendo sua essência musical.
Para Nely, o mais importante não são os prêmios, mas sim os momentos de alegria e união que a música proporciona. “A melhor parte do samba é ver todo mundo junto, dançando e cantando. Arrepia tudo”, finaliza a artista, reafirmando seu amor pelo samba e pela música.
Com informações de Tribuna de Minas.