Ocupação irregular em Chapéu D’Uvas cresce significativamente

A ocupação irregular ao redor da Represa de Chapéu D’Uvas se tornou uma preocupação crescente para as autoridades locais e órgãos públicos. Segundo dados do Ministério Público, o percentual de áreas ocupadas saltou de 8% em 2019 para 21% atualmente. Esse aumento está ligado não apenas à ocupação ilegal, mas também à especulação imobiliária que impacta diretamente o manancial. Para abordar o problema, desde 2022, o MP já entrou com 298 processos em busca de soluções.
Essas informações foram apresentadas durante um evento realizado na última terça-feira (25), promovido pelo Ministério Público, pela Prefeitura de Juiz de Fora e pela Associação Regional de Proteção Ambiental (Arpa) de Santos Dumont. Os representantes das instituições enfatizaram a importância da preservação da qualidade da água para a população, desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Impactos na Abastecimento de Água
De acordo com Roger Aguiar, promotor do Ministério Público de Minas Gerais, a Represa de Chapéu D’Uvas é responsável por fornecer entre 40% a 50% da água para Juiz de Fora. Ele alertou que, embora não se espere a seca total da represa, a degradação da qualidade da água e o assoreamento podem levar a uma redução significativa de sua capacidade de abastecimento. “Se a situação não for controlada, será preciso buscar alternativas de abastecimento, como perfuração de poços”, ressaltou.
Além de Chapéu D’Uvas, a Represa de João Penido também enfrenta desafios semelhantes, já apresentando uma capacidade reduzida devido à poluição e ocupações ilegais em seu entorno. A fervilhante especulação imobiliária e o surgimento de loteamentos irregulares agravam ainda mais a situação, com poucas ocupações registradas oficialmente.
Durante a coletiva, foram exibidas imagens da represa mostrando os impactos provocados pelas ocupações, como represamento de rios, desmatamentos e infracções em áreas críticas. O promotor Alex Fernandes fez um apelo pela necessidade urgente de fiscalização e pela preservação dos recursos hídricos da região, afirmando que a continuidade das ocupações ilegais vai comprometer não só a qualidade da água, mas também questões ambientais e climáticas.
Os dados revelam a urgência de ações colaborativas entre os órgãos responsáveis para evitar um colapso na capacidade de abastecimento da cidade. A proteção do manancial é fundamental para garantir o futuro hídrico de Juiz de Fora, evitando que a situação se repita em outros mananciais já devastados, como a Represa Billings.
Com informações de Tribuna de Minas.
