Zona da Mata

Desigualdade de Gênero Nas Cadeiras do Poder no Brasil

Representação Feminina em Números

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ressaltam uma discrepância alarmante entre a composição do eleitorado e a representação feminina no parlamento brasileiro. Embora as mulheres representem a maioria dos eleitores, com 52,83% do total em 2026, elas ocupam apenas 18,1% das cadeiras na Câmara dos Deputados. O cenário não é diferente no Senado, onde as mulheres representam menos de 20% do total de parlamentares. Essa diferença coloca o Brasil na 133ª posição em termos de representação feminina, segundo a ONU Mulheres, evidenciando um cenário bastante dificuldades para a equidade de gênero na política.

Estudos da Universidade Federal do Paraná indicam que a evolução na representatividade feminina, embora aconteça, é lenta. A pesquisa pela Oxfam Brasil revela que, na velocidade atual de inclusão de mulheres candidatas, o país levaria impressionantes 144 anos para alcançar a paridade. Essa realidade também se observa na cidade de Juiz de Fora, onde, apesar de um crescimento discreto nas últimas décadas, apenas 5 das 23 cadeiras da câmara municipal estão ocupadas por mulheres, um número ainda abaixo do ideal.

A violência política de gênero emerge como um fator crítico para essa desigualdade, com 81% das parlamentares de Brasília e 75% das candidatas a prefeita em 2020 denunciando algum tipo de agressão. A dinâmica de financiamento de campanhas também se destaca nesse contexto. O TSE estabeleceu que os gastos com segurança pessoal das candidatas não contam para a cota mínima de 30% destinadas a elas, o que facilita a burla das regras estabelecidas pelos partidos em suas práticas.

Além disso, o discurso que afirma que mulheres não votam em mulheres perpetua a discriminação e reflete a falta de apoio nas chapas e na distribuição de recursos. Isso não afeta apenas as mulheres, mas também candidatos negros, que enfrentam barreiras similares. O sistema partidário ainda prioriza, de modo utilitarista, os candidatos que parecem ter mais chances de vitória, ignorando questões de equidade racial e de gênero.

No cenário internacional, o Brasil também apresenta uma situação crítica, sendo que apenas 28 países são chefiados por mulheres. A experiência da ex-presidente Dilma Rousseff, alijada do poder em um processo repleto de motivações de gênero, destaca a complexidade da luta pela igualdade no âmbito político. O discurso em torno de sua saída evidenciou a resistência à liderança feminina, mesmo quando ela estava em conformidade com as normas.


Com informações de Tribuna de Minas.

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