Preservação do Patrimônio Histórico em Juiz de Fora Enfrenta Desafios

A preservação do patrimônio histórico em Juiz de Fora, com uma legislação pioneira desde o século passado, se depara com novos desafios impostos pela urbanização. As leis existentes, como a municipal nº 7.282/1988 e a atualizada nº 10.777 de 2004, visam proteger os bens culturais da cidade, mas, segundo especialistas, frequentemente deixam de lado uma parte importante da memória da população.
A jornalista Christina Musse, à frente do grupo de pesquisa Comunicação, Cidade & Memória, aponta que muitos bens tombados representam apenas a história das elites locais. “Os tombamentos são, muitas vezes, direcionados a imóveis ligados à estética da época, como art déco e modernismo”, destaca. Ela enfatiza a necessidade de reconhecer a importância de preservar também bens que retratam períodos mais recentes da cidade, como os da década de 1960 e 1970, marcada pela ditadura militar.
Desafios da Urbanização e Mobilização Popular
Com o crescimento urbano na década de 1970, muitos casarões que contavam experiências diversas da cidade foram demolidos. Carine Muguet, historiadora da Funalfa, menciona que o apoio popular foi crucial em movimentos para preservar espaços como a antiga Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas, hoje Mercado Municipal. Segundo o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac), a participação da sociedade civil se mostra essencial para garantir a proteção dos bens culturais.
Entretanto, nem todos os esforços tiveram êxito. Exemplos como a Casa do Bispo e a Capela do Colégio Stella Matutina evidenciam a fragilidade da preservação. Musse aponta que a demolição de um espaço resulta não apenas na perda do local, mas também de sua representatividade. “A paisagem urbana nos dá reconhecimento e pertencimento, indo além de nós”, argumenta.
Embora haja legislação para salvaguardar a memória local, é necessária uma conscientização contínua sobre a importância dessa preservação. A lei nº 10.777 prevê a criação do Comppac, que se encarrega da inclusão de patrimônios no Livro do Tombo. O conselho, em parceria com a Funalfa, busca fomentar a participação popular na preservação da história.
Marcos Olender, da UFJF, observou uma sub-representação no Comppac, que antigamente contava com membros de instituições como o Museu Mariano Procópio. Ele também menciona a preocupação com a presença de representantes da construção civil no conselho, o que poderia insinuar conflitos entre a modernização e a defesa do patrimônio. O Comppac afirmou que sua composição é regida por lei municipal e que possui dentro de seus conselheiros profissionais de diversas áreas incluídos na discussão do tema.
Com informações de Tribuna de Minas.


