Chiquinho Mota: resistência e alegria no Miss Brasil Gay

Chiquinho Mota, criador do renomado Miss Brasil Gay, realizou verdadeiros feitos na cidade de Juiz de Fora, MG, desde a criação do evento em 1975. O que começou como uma simples brincadeira na casa de amigos, onde homens se vestiam de mulheres para desfilar representando seus estados, se transformou em um dos maiores e mais esperados eventos da cidade.
A primeira edição do concurso ocorreu em 1977, e hoje, com cerca de cinquenta edições realizadas, o Miss Brasil Gay movimenta aproximadamente R$ 6 milhões a cada fim de semana em que acontece, sendo reconhecido como patrimônio imaterial da cidade. Para a consolidação do evento, Mota teve que exibir sua habilidade para transitar entre diferentes públicos, unindo a alta sociedade e a comunidade LGBTQIAPN+ em um momento de celebração distinta.
Desafios durante a ditadura militar
Ao longo de sua trajetória, Chiquinho enfrentou a repressão da ditadura militar que se instaurou no Brasil. André Pavam, seu amigo e sucessor escolhido para o concurso, recorda como a força de vontade de Chiquinho permitiu a coroação de Soraya Jordão como a primeira Miss Brasil Gay. A decisão de realizá-lo no ginásio na época gerou resistências, mas ele não deixou que isso o intimidasse.
Mota também estabeleceu uma relação amistosa com figuras da elite local, o que, segundo Pavam, permitiu que ele provocasse mudanças sociais significativas. Além de entreter, o evento era uma forma de resistência e um ato político que contribuiu para fortalecer minorias sociais em um contexto de opressão.
Aos 81 anos, Mota continua a ser uma figura icônica, tendo moldado não apenas o Miss Brasil Gay, mas também a imagem da diversidade na sociedade juiz-forana. Sua sobrinha, Mirelle Mota, que hoje cuida de seus espólios, relembra a longínqua trajetória de seu tio, que se estabeleceu em Juiz de Fora para promover os sonhos de cada participante, tornando a festa uma tradição muito querida na cidade.
No palco, Chiquinho assumia distintas personalidades, como a imponente Mademoiselle Debret de Le Blanc e a extravagante Beth Vasconcellos, encantando o público e construindo uma relação especial com as candidatas do concurso. Contudo, também enfrentou desafios financeiros, que culminaram na última edição do evento em 2005, realizada fora de Juiz de Fora devido à falta de apoio local.
O legado de Chiquinho Mota é um testemunho da força da cultura LGBTQIAPN+ e da importância de espaços de celebração e solidariedade diante adversidades sociais e políticas.
Com informações de Tribuna de Minas.

