Golpe do Pix afeta 90 lojas e prejudica consumidores no Brasil
Um novo golpe relacionado ao sistema de pagamentos Pix vem afetando consumidores e comerciantes no Brasil, com pelo menos 90 lojas virtuais de pequeno e médio porte já registrando ocorrências. A informação foi revelada por uma investigação da empresa russa de cibersegurança Kaspersky, que identificou um esquema que altera os códigos Pix gerados no momento da compra, direcionando o dinheiro para contas de criminosos, sem que os comerciantes recebam os valores devidos.
A descoberta foi feita pelo pesquisador de segurança conhecido como ‘eremit4’ e divulgada em um comunicado à imprensa no dia 8 de setembro. O golpe explora vulnerabilidades em sites de comércio eletrônico, atingindo diversos segmentos, como autopeças, óticas e moda, além de plataformas de arrecadação online, conhecidas como ‘vaquinhas’.
Fraude silenciosa e difícil de detectar
Um ponto comum entre os sites que sofreram o golpe é o uso da plataforma Magento, um sistema de código aberto para e-commerce. De acordo com a Kaspersky, a falta de manutenção e atualizações de segurança adequadas facilita a ação de invasores, que podem comprometer a estrutura das lojas e manipular as páginas de compra.
O golpe é considerado ‘silencioso’, pois, para o lojista, a compra aparece como ‘abandonada’ ou pendente, já que o sistema da loja não registra o pagamento. Os consumidores só percebem que foram lesados ao contatar o e-commerce sobre atrasos na entrega, momento em que descobrem que o pagamento não foi recebido.
Os golpistas costumam dispersar o dinheiro roubado em várias contas de ‘laranjas’, dificultando a recuperação dos valores por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central. Diante dessa situação, é crucial que o consumidor notifique seu banco ou instituição de pagamento imediatamente.
A advogada Bárbara Carvalho de Castro, vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB Subseção Juiz de Fora, recomenda que o consumidor faça um boletim de ocorrência e mantenha toda a documentação relacionada à compra, como comprovantes e e-mails. Ao acionar o MED, o banco que recebeu o pagamento deve bloquear o valor, e os bancos têm até sete dias para analisar o caso e, se a fraude for confirmada, devolver o dinheiro, embora isso dependa da disponibilidade de saldo na conta do golpista.
Além do MED, os consumidores podem buscar apoio em órgãos como Procon e Sedecon, e, se necessário, recorrer ao Poder Judiciário. O Código de Defesa do Consumidor prevê que os fornecedores são responsáveis pelos danos causados durante a prestação de serviços, o que facilita a reclamação por parte dos consumidores afetados.
Com informações de Tribuna de Minas.